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Perda com operações de swap cambial soma      R$ 51 bi no 1º trimestre

Valor foi recorde para o período; em março, setor público desembolsou R$ 34 bilhões com essas operações

Victor Martins e Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2015 | 11h23

BRASÍLIA - O Banco Central registrou perdas recordes em março com operações de swap. No mês passado, os prejuízos somaram R$ 34,512 bilhões. Esse desempenho teve um forte impacto nas contas públicas e levou a um gasto também recorde com juros, de R$ 69,489 bilhões.

Ao longo de 2014, o BC teve perdas de R$ 17,329 bilhões com a oferta de hedge ao mercado. No acumulado do primeiro trimestre de 2015, o prejuízo da instituição com essas operações está em R$ 51,023 bilhões, também um recorde.


Em 2013, o BC acabou registrando prejuízo com os leilões de swap da ordem de R$ 1,315 bilhão. Já em 2012, entraram para o caixa da autarquia R$ 1,098 bilhão. O programa de oferta diária de swaps cambial já foi encerrado, mas a autoridade monetária continua rolando seu estoque.

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, disse que a perda de arrecadação com operações de swap cambial explica o aumento de fluxo de juros em março. Segundo ele, até o dia 24 de abril, havia sido registrado um ganho de R$ 28,2 bilhões com swap. "Esse movimento de abril deve quase neutralizar as perdas de março com swap", disse.

Segundo ele, a variação cambial representa despesas com os swaps, mas também ganhos com as reservas internacionais. O secretário informou que o ganho com valorização das reservas chegou a R$ 100,629 bilhões somente em março, o que representa 1,8% do PIB. "Para cada real de swap, você tem R$ 2,50 de ganhos com reserva", afirmou. 

De acordo com o BC, esses leilões e também os de linha (dólares com compromisso de recompra) já forneceram "volume relevante" de proteção cambial ao agentes econômicos. O programa teve início em 22 de agosto de 2013 e foi renovado duas vezes, sofrendo ajustes.

No início, a chamada "ração diária" injetava US$ 2 bilhões no mercado semanalmente. Atualmente, o volume com a rolagem é de US$ 500 milhões por semana. O BC informou também que os swaps cambiais que vencerão a partir de 1º de maio deste ano serão renovados integralmente. O BC levará em consideração a demanda pelo instrumento e as condições de mercado.

Já os leilões de linha continuarão a ser realizados de acordo com as condições de liquidez do mercado de câmbio. "Sempre que julgar necessário o Banco Central do Brasil poderá realizar operações adicionais por meio dos instrumentos cambiais ao seu alcance", explicou o BC. 

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