Perda de grandes contas pode reduzir volume em R$ 5 bi, diz Cielo

Montante representa pouco mais de 1% da cifra anual movimentada nas máquinas de leitura de cartões de débito e crédito

Aline Bronzati, da Agência Estado,

26 de julho de 2012 | 16h43

SÃO PAULO - A perda de grandes contas pela Cielo pode reduzir o volume capturado em seus terminais em R$ 5 bilhões no ano, de acordo com Rômulo de Mello Dias, presidente da companhia. Esse montante representa pouco mais de 1% da cifra anual movimentada nas máquinas que fazem a leitura de cartões de débito e crédito (chamados de POS). "Parece um número grande, mas temos de lembrar que a Cielo captura quase 8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Não é um número significativo no contexto da Cielo", comparou ele, em conversa com a imprensa.

No conceito de faturamento, as grandes contas superam o segmento de pequeno e médio varejo uma vez que os volumes transacionados são bem mais elevados. De abril a junho, os terminais da Cielo capturaram R$ 93,1 bilhões, volume 22,9% maior ante o mesmo intervalo do ano passado. Além disso, a empresa elevou a sua participação no mercado pelo sexto trimestre consecutivo, de 57,7% para 61,1%. O porcentual é um recorde na história da Cielo, de acordo com Mello Dias.

Sobre o aumento da concorrência e a possível redução de participação no mercado, ele disse que este cenário já era esperado e que há espaço para todos os concorrentes no mercado. "Vejo com bons olhos, pois o aumento da concorrência contribui para o maior desenvolvimento do mercado de meios de pagamentos", resumiu o presidente da Cielo.

Ele voltou a reforçar que a empresa não pretende fechar capital, pois acredita que é possível existir diferentes modelos de atuação no mercado de credenciamento. "Estamos muito satisfeitos com o modelo que temos, com a nossa força de vendas, parcerias, colaboradores. Mas teremos de nos reinventar para ser cada vez mais competitivos e endereçar as demandas dos nossos clientes", disse Mello Dias.

Despesas operacionais

Segundo Mello Dias, o aumento nas despesas operacionais da Cielo está em linha com a projeção da empresa para 2012, que prevê um gasto de 4% da receita líquida em marketing e vendas. Apesar de no segundo trimestre deste ano esses gastos terem somado R$ 223,8 milhões, alta de 94% ante os R$ 115,4 milhões vistos 12 meses antes, no semestre, o desembolso foi de 3,5% da receita líquida.

De acordo com Mello Dias, a Cielo também teve despesas extraordinárias por conta da aquisição de 100% da Merchant e-Solutions (MeS), provedora global de soluções para pagamento, que totalizaram R$ 15 milhões. O negócio, avaliado em R$ 670 milhões, foi anunciado no início de julho último.

No entanto, o fator que mais impulsionou a expansão das despesas de abril a junho foram os gastos com vendas e marketing que cresceram 259,4% ou R$ 55,8 milhões. Já as despesas de pessoal aumentaram 5,3%, devido, principalmente, ao reajuste de 7% nos salários dos colaboradores da Cielo, definido pelo acordo com o sindicato no terceiro trimestre de 2011. Despesas gerais e administrativas subiram 37,2%.

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