Perda em veículos reduz lucro do Itaú

Inadimplência maior em financiamento de automóveis faz ganho cair 8% no 2º trimestre

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h09

A inadimplência das pessoas físicas - em especial no segmento de automóveis - voltou a afetar o resultado do Itaú, maior banco privado brasileiro. A instituição teve lucro de R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre deste ano, o que representou uma queda de 8,3% em relação ao mesmo período de 2011. Levando em conta o primeiro semestre, os ganhos alcançaram R$ 6,7 bilhões, redução de 5,6% ante o mesmo intervalo do ano passado.

Apesar do recuo em ambas as comparações, os investidores gostaram dos números. As ações do Itaú Unibanco subiram 2,91% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), enquanto o principal termômetro do mercado, o Ibovespa, perdeu 0,75%. A explicação, segundo operadores de mercado, é de que os resultados foram levemente superiores às projeções de analistas do setor.

O índice de inadimplência total para atrasos superiores a 90 dias subiu para 5,2% no Itaú no período de abril a junho, ante 5,1% nos três primeiros meses do ano. Nas pessoas físicas, também houve elevação - de 6,7% para 7,3%. Entre as empresas, porém, o banco registrou queda de 3,7% para 3,5%.

"Gostaria de destacar que, se não fosse o desempenho no segmento de automóveis, a inadimplência total teria caído para 4,7%", observou o diretor corporativo de Controladoria e Relações com Investidores do Itaú, Rogério Calderón. "Aliás, excluindo a área de veículos, podemos dizer que a inadimplência já estaria estável desde dezembro do ano passado."

Calderón atribuiu o mau desempenho do setor automotivo a problemas ocorridos entre o fim de 2010 e início de 2011. Naquele momento, explicou, os bancos exigiam entradas menores dos clientes e financiavam os automóveis e prazos mais longos do que hoje. "Começamos a ser mais seletivos na área, exigindo entradas maiores", explicou.

A cautela do banco em veículos se reflete nas perspectivas para a carteira de crédito em 2012. Calderón confirmou a informação antecipada pelo Estado no início do mês de que o banco revisaria para baixo a previsão de expansão do crédito neste ano.

A expectativa anterior, de alta entre 14% e 17%, foi revisada para 10%. "Mas, se excluirmos veículos, a alta esperada sobe para o intervalo entre 13% e 15%", observou. O executivo explicou que não houve alteração significativa na quantidade de automóveis financiados pelo banco.

Mas, com a exigência de uma entrada maior, o montante emprestado vem caindo. No fim de 2011, a carteira de crédito de veículos somava R$ 60 bilhões. A expectativa é de que encerre 2012 entre R$ 50 bilhões e R$ 52 bilhões.

De maneira geral, Calderón afirmou que a tendência para os índices de inadimplência é de queda no segundo semestre. Na pessoa física, porém, o banco ainda espera novas altas.

"Posso dizer com segurança que reduziremos a carga de despesas em decorrência da inadimplência", comentou. "Mas é difícil garantir que os indicadores de inadimplência vão cair porque vários fatores têm impacto sobre isso, entre eles o próprio comportamento do crédito."

Calderón observou, ainda, que "as despesas (com provisões para devedores duvidosos) continuam grandes, acima do patamar usual". "Mas já mostram desaceleração. Isso nos permite projetar um futuro melhor para o terceiro e quarto trimestres."

Spread. Com a provável desaceleração da alta da inadimplência, o spread bancário tende a se reduzir, de acordo com Calderón.

O executivo destacou que a inadimplência é componente importante do spread, a diferença entre a taxa que o banco paga para captar recursos e a que cobra ao emprestar para o cliente.

Calderón também explicou que o Itaú vem aumentando a exposição em segmentos do crédito nos quais a inadimplência é tradicionalmente mais baixa. Em trimestres recentes, o banco registrou alta nos índices de calote entre as micro, pequenas e médias empresas. / COLABOROU ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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