Perdas com burocracia chegam a 5% do PIB, alerta Furlan

Depois de comemorar, ontem, recordes históricos nas as exportações brasileiras e superávits comerciais em junho, no primeiro semestre e nos últimos 12 meses, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, mostrou hoje, durante um almoço em São Paulo, impaciência contra a burocracia, a ineficiência e os gargalos que existem na área de infra-estrutura e logística, considerados problemas sérios para o desenvolvimento do comércio exterior do País"Calculo que jogamos fora 5% do PIB todo ano pela ineficiência, retrabalho, burocracia e pelos jeitinhos. Isso não é razoável. Será que não podemos mudar isso?", reclamou o ministro diante de quase 100 empresários e altos executivos de companhias brasileiras e multinacionais, durante almoço da Associação das Empresas Distribuidoras de Valores (Adeval).De acordo com o ministro, o Brasil paga US$ 1 bilhão a cada ano por estadias de navios em portos brasileiros para serem carregados. Talvez, acrescentou Furlan, "seja hora de ter um Brasil mais moderno, e não falo só do governo federal". Para Furlan, o Brasil é eficiente na produção, mas ineficiente no sistema.Ainda em tom de reclamação e impaciência com os gargalos que prejudicam a produtividade do País, o ministro sugeriu aos empresários que fizessem maior pressão em Brasília, "para que as coisas caminhem". Certa vez, contou o ministro, "há muito tempo, ouvi dizer que Brasília só funcionava com pressão, e isso continua válido, tanto no Congresso como no Executivo.Trabalho no exteriorMas as queixas de Furlan não pararam por aí. Ele reclamou até do frágil esquema para promover o País no Exterior. Para o ministro, é preciso trabalhar mais para fortalecer a Marca Brasil. Segundo ele, a imagem do Brasil no Exterior continua sendo a do futebol, a da boa música e das praias, além de ser visto como um povo simpático. "O mundo não sabe o que fazemos. Somos péssimos em comunicação e zero em marketing", reconheceu, ao emendar que países, como a Alemanha, Itália ou Japão, são facilmente identificados pela qualidade e competitividade de seus produtos.No entanto, ao final da sua exposição, Furlan foi enfático: "Podem ter certeza de que vamos continuar batendo recorde (de exportações), já que estamos com cerca de 200 eventos promocionais no Exterior em andamento até o final do ano."Sobre a carga tributário, o ministro afirmou também que o governo não quer e não pretende aumentá-la e explicou que existe um conselho que está estudando em quais setores da economia podem ser reduzidos os impostos. Ele acredita que uma redução entre dois ou três pontos porcentuais dessa carga poderá propiciar maior crescimento econômico para o País.

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