Wilton JR/Estadão
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ESG

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Perdas com corrupção podem aumentar, admite Graça Foster

Cálculo do rombo considera as empresas investigadas pela Polícia Federal, mas cifra pode crescer em caso de novas denúncias

Fernanda Nunes, Antonio Pita e André Magnabosco, O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2015 | 16h17

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, afirmou na tarde desta quinta-feira, 29, em teleconferência a analistas e investidores, que as perdas com corrupção, estimadas pela empresa em R$ 4 bilhões, podem ser maiores, caso novas denúncias de desvios de recursos apareçam.

O cálculo do rombo da corrupção no patrimônio da companhia considerou os projetos firmados com empresas investigadas pela Polícia Federal, na Operação Lava Jato. Do total orçado dos projetos, foram descontados 3%, que seria o pagamento de propina, segundo denúncia feita pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa à Polícia Federal. 


De acordo com Graça, a companhia poderá reavaliar os dados apresentados em seu balanço quanto aos valores imobilizados e contratos relacionados às empresas sob investigação da Polícia Federal. Segundo a executiva, a companhia poderá ampliar o escopo dos contratos sob análise, os períodos e também o valor dos ajustes estimados inicialmente no balanço.

"Novas informações oriundas das investigações em curso podem causar novos ajustes, ampliação do escopo dos contratos e empresas e também do período analisados", disse. "É importante frisar que o período analisado não foi escolhido pela companhia, mas extraído dos depoimentos recebidos como "prova emprestada" pela Petrobrás", acrescentou.

A presidente da estatal informou que foram gastos R$ 150 milhões para dimensionar o tamanho das perdas causadas pela corrupção. O custo diz respeito à contratação dos serviços de consultores internos e também aos gastos com a equipe interna.

Preço justo. Graça Foster disse, ainda, que recomendou ao conselho de administração que não fosse utilizada a metodologia de valor justo para calcular o efeito da corrupção em seu patrimônio. Isso porque considera essa metodologia - em que o valor contábil é corrigido pelo valor de mercado - falha, por utilizar inúmeras variáveis.

Entre as variáveis utilizadas que podem comprometer o resultado da análise dos ativos, Graça cita mudanças de preços e margens de insumos, dos equipamentos, salários, deficiência no planejamento de projetos, contratações de bens e serviços antes da conclusão dos projetos básicos das obras - além da "cartelização de fornecedores, corrupção e sobrepreços".

"Recomendamos ao conselho de administração que não utilizaríamos essa metodologia, por ser uma composição de muitas variáveis", afirmou a presidente da Petrobrás. Em seguida, ela acrescentou que, agora, "o trabalho é fazer uma limpeza dedicada em tudo o que tivermos que fazer". E que a intenção é "ter uma avaliação correta para o patrimônio líquido e o ativo imobilizado". Graça disse também que o esquema de corrupção na empresa não afetou a posição de caixa da petroleira.

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