Perdas com crédito devem ser piores que o esperado, diz FMI

Segundo relatório do Fundo, nem todos os participantes do mercado foram "transparentes" sobre perdas

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

16 de janeiro de 2008 | 18h34

A crise hipotecária subprime provavelmente vai gerar problemas mais acentuados do que se espera porque nem todos os participantes do mercado foram "transparentes" com relação as perdas, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Alguns trabalhos analíticos elaborados sobre suposições conservadoras sugerem que as perdas potenciais podem ser maiores e injeções adicionais de capital são prováveis", escreveram Manmohan Singh e Mustafa Saiyid em um relatório do FMI. "Muitos bancos nos EUA ainda não marcaram seus ativos para preços reais de transações."  Alguns participantes do mercado "foram transparentes, tais como alguns fundos hedge dos EUA que anularam o valor de todas as notes júnior emitidas por seus veículos estruturados", diz o relatório. A turbulência dos mercados globais, que surgiu no ano passado em meio ao aumento da inadimplência nas hipotecas subprime dos EUA, foi em parte resultado da falta de medidas apropriadas para avaliar o risco de novos produtos financeiros.  As hipotecas subprime - empréstimo imobiliário concedido a pessoas com pobre histórico de crédito - foram empacotadas em ativos estruturados, tais como obrigações de dívida colateralizada, os CDOs. Na seqüência do colapso do mercado hipotecário subprime em meados de 2007, as preocupações do mercado com relação a exposição dos ativos estruturados para a crise subprime provocaram o congelamento do crédito que fez muitos participantes do mercado a usarem modelos de avaliação que não mais funcionavam na situação de colapso, segundo o relatório.  Os recentes movimentos das instituições financeiras para trazer os ativos estruturados excluídos, como os CDOs, para o balanço geral não foram "transferências de preços" explícitas e, portanto, "podem não refletir totalmente as perdas potenciais".  O relatório do FMI sugere que os participantes do mercado buscam regularmente colocar uma porção de seus complexos ativos estruturados no mercado para obter uma avaliação válida. Alguns participantes do mercado "dependem cada vez mais dos ratings como uma medida de risco de default e de forma inapropriada os comparam com aquela dívida corporativa mais comum, que tem sensibilidade diferente as condições do mercado", segundo o relatório.

Mais conteúdo sobre:
FMICrise de crédito

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.