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Perdas da Aracruz em 2008 foram de R$ 4,2 bi

Apenas no quarto trimestre, empresa teve prejuízo de R$ 2,9 bi, fruto das operações com derivativos

André Magnabosco, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

As operações com derivativos tiveram um efeito devastador no balanço da Aracruz Celulose. A empresa terminou 2008 com um prejuízo líquido de R$ 4,2 bilhões, enquanto no ano anterior havia registrado um lucro de R$ 1 bilhão. Apenas no quarto trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 2,9 bilhões - a despesa financeira líquida foi de R$ 3,4 bilhões. No mesmo período de 2007, a Aracruz havia lucrado R$ 187 milhões. A receita líquida no ano passado foi de R$ 3,4 bilhões, uma queda de 5% na comparação com 2007.Apesar das perdas, o valor justo das operações de derivativos tóxicos da Aracruz em 31 de dezembro ficou em R$ 77 milhões, reflexo da renegociação que resultou na eliminação de 97% da exposição da companhia a operações com instrumentos financeiros. Ao final do terceiro trimestre, o valor justo era de R$ 1,9 bilhão. Já o valor de referência dessas operações oscilou de R$ 19 bilhões em setembro de 2008 para R$ 701 milhões no final do ano.O acordo com os bancos resultou em uma perda total de US$ 2,13 bilhões (em valor justo), que será pago em até nove anos. O acordo também incluiu vencimentos de US$ 500 milhões em operações de pré-pagamento de exportação. Depois desse acordo, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) concluiu a negociação para tornar-se controladora da Aracruz.Mas o rombo financeiro fez a empresa pisar completamente no freio. A previsão para este ano é de investimentos de US$ 196 milhões, enquanto, em 2008, os aportes chegaram a US$ 1,5 bilhão. O montante previsto para este ano inclui investimentos nas áreas de silvicultura, manutenção fabril e outros, mas exclui as expansões das unidades Veracel (BA) e Guaiba (RS). Os investimentos em projetos de aumento de capacidade, segundo a empresa já havia sinalizado anteriormente, foram postergados.A direção da companhia também já definiu outras estratégias que adotará, além da redução de investimentos, para garantir uma melhoria na geração de caixa e, com isso, tentar reduzir o nível de seu endividamento, que ao final de dezembro de 2008 era de R$ 9,7 bilhões. O plano da empresa é focar a excelência operacional por meio da redução dos custos e despesas, e também a venda de ativos não operacionais. Esses ativos seriam florestas e terras. A companhia não informou, entretanto, quais as metas dessa proposta ou quais ativos poderiam ser incluídos no novo plano estratégico. Além disso, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Aracruz, Marcos Grodetzky, a companhia está em negociação com agentes financeiros para rever as cláusulas de "covenants" financeiros existentes em alguns acordos de financiamento. Essas cláusulas impõem limites, por exemplo, para o endividamento da empresa. Com isso a direção da Aracruz pretende adequar as condições dos índices econômico-financeiros previstos nos contratos ao atual ambiente financeiro da companhia.

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