Kim Hong-Ji|Reuters
Kim Hong-Ji|Reuters

Perdas da Samsung afetam a autoestima dos sul-coreanos

Problemas do Galaxy Note 7, que teve de ser retirado do mercado, deixou marcas para a ‘nação Samsung’

THE NEW YORK TIMES / SEUL, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2016 | 05h00

O ex-professor Kim Joeng-min estava no aeroporto de Narita, no Japão, quando ele assistiu na televisão uma reportagem sobre o fato de os smartphones Galaxy Note 7, da Samsung, estarem sendo banidos em aviões. Kim, de 58 anos, disse que se sentiu humilhado, como se outros passageiros no saguão do aeroporto estivessem olhando para ele.

Embora ele não tenha um Galaxy Note 7, sua reação é um sinal do intenso sentimento que os sul-coreanos têm em relação à Samsung, o maior sucesso corporativo da história do país – um símbolo da transformação de uma nação devastada pela guerra em um gigante global. “Gostemos ou não, a Samsung é para o mercado global o que o nosso time é para a Olimpíada”, resumiu Kim.

Descrever a Samsung como a maior e mais lucrativa companhia do país não é suficiente para mostrar a influência da empresa no país. Alguns sul-coreanos chegam a dizer que vivem na “República da Samsung”.

Domínio. Na Coreia do Sul, a vida pode começar e terminar na Samsung: é possível nascer no Hospital Samsung, estudar na universidade Samsung, passar a lua de mel no Hotel Samsung, comprar um apartamento construído pela Samsung e decorá-lo com produtos Samsung, comprar com um cartão de crédito Samsung, levar as crianças para um parque de diversão da Samsung e até ser velado em uma casa de funerais da marca... Samsung.

Para os sul-coreanos, a evolução do país de um mero montador de rádios de transistor para a liderança global em TVs de tela plana, chips de computador e smartphones é motivo de orgulho nacional. A Samsung teve fatia de 20% nas exportações do país em 2015, que somaram US$ 527 bilhões.

Esse orgulho foi afetado, e a insegurança econômica nacional foi ampliada, quando a Samsung fez o recall de mais de 3 milhões de aparelhos Note 7 em todo o mundo e admitiu uma perda de US$ 6,2 bilhões. A empresa decidiu deixar de produzi-los porque eles esquentavam e depois pegavam fogo.

“Não é só um problema para a Samsung, é uma questão para toda a economia”, disse o líder da oposição Moon Jae-in, potencial candidato à eleição presidencial de 2017. “E porque as pessoas têm orgulho da Samsung, é um problema do país também.”

Na quinta-feira, o presidente Pak Geun-hye demonstrou preocupação com o caso Note 7. A economia sofreu recentemente com o aumento do desemprego e também com a falência da Hanjin, empresa de transporte marítimo, que foi vencida por rivais chinesas de custo baixo.

A Samsung é a marca mais famosa que a Coreia do Sul já teve, sendo a sétima mais valiosa no ranking da consultoria Interbrand. Os smartphones Galaxy são considerados os produtos de mais alta tecnologia já feitos no país.

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