''Perdedores precisam aprender a perder''

Perdedores precisam perder. A constatação é do Banco de Compensações Internacionais (BIS), que apelou ontem para que montadoras, empresas de construção e bancos aceitem simplesmente que terão de encolher e que suas expansões nos últimos anos foram artificialmente estimuladas.A avaliação do BIS é de que bancos podres ou empresas com excessos simplesmente sejam permitidas por governos a quebrar ou reduzir de tamanho. "O setor financeiro precisa encolher. Cresceu de forma exagerada e acumulou ativos de qualidade dúbia. Um novo modelo de negócios precisa ser encontrado", afirmou Jaime Caruana, diretor do BIS. "A capacidade global em excesso em setores que eram altamente dependentes de financiamento, como a construção e montadoras, precisarão ser diminuídos", alertou Caruana. Diante da crise, não apenas bancos foram à falência, mas setores que dependiam de empréstimos para financiar suas atividades. Os mais atingidos foram o de construção, tanto nos Estados Unidos como na Espanha, Japão, Reino Unido e Irlanda. No setor automotivo, falências foram decretadas e governos tiveram de sair ao resgate de empresas. Outra recomendação é de que simplesmente as estruturas produtivas não sejam dependentes apenas de exportações."Governos serão tentados a subsidiar indústrias que precisam contrair. Mas perdedores precisam perder. Os governos estarão tentados a encorajar bancos para emprestar a quem emprestou mais. Mas isso não é possível. E vão estar tentados em fechar os olhos para instituições insolventes. Mas bancos zumbis precisam ser fechados ou solucionados. Essa é a melhor forma de atender ao interesse público", diz relatório anual do BIS publicado ontem. O BIS ainda alerta que empresas que seriam "muito grandes para quebrar" simplesmente não sejam permitidas a chegar a esses tamanhos no futuro. Para Caruana, um dos desafios será o de como garantir uma reforma do sistema e, ao mesmo tempo, dar uma resposta à produção e emprego. A solução oferecida pelo BIS é de que a reforma do sistema financeiro seja feita de forma acelerada, antes que os governos cheguem a um limite de suas dívidas.

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