'Perdi meu amor na balada'

Segundo órgão, campanha fere Código de Defesa Consumidor e pode gerar multa de R$ 6,5 milhões

NAYARA FRAGA, ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h06

A campanha da Nokia para divulgar o celular 808 Pure View - Perdi meu amor na balada - continua a causar polêmica. O Procon-SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, informou ontem ter identificado indícios de violação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) na propaganda. "Foi instaurado procedimento de investigação e, ao final, a empresa poderá ser autuada em multa que pode chegar a R$ 6,5 milhões."

O motivo está no fato de a campanha, composta por três vídeos publicados no YouTube e de material impresso espalhado pelas ruas, não ter esclarecido desde o início que a história do apaixonado Daniel era fictícia.

No dia 10 de julho, surgiu no site um vídeo em que o rapaz afirmava estar perdidamente apaixonado por uma garota que havia conhecido numa casa noturna. Mas ele havia perdido o telefone de Fernanda, e o apelo no YouTube e no Facebook era sua tentativa de encontrá-la.

O primeiro filme foi compartilhado milhares de vezes em redes sociais por usuários comovidos com o "amor" do rapaz. Apenas no terceiro vídeo revelou-se que tudo se tratava de uma campanha da Nokia.

Os cartazes, colados em locais públicos, como postes e pontos de ônibus, traziam um desenho feito à mão da personagem criada para a ação publicitária, com uma breve descrição física de "Fernanda". Eles serviram à estratégia de "ativar" a campanha, aguçando a curiosidade do público de assistir aos vídeos.

Processo ético. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) também abriu um processo ético contra a campanha da fabricante de celulares. A entidade recebeu reclamações de dez consumidores que se sentiram enganados pela campanha.

O julgamento, do qual 180 pessoas ligadas ao setor publicitário participam, pode ocorrer em 30 dias. No caso do Conar, não se aplica multa às empresas anunciantes. A punição, em geral, está relacionada à retirada da campanha do ar.

Como a campanha Perdi meu amor na balada já foi veiculada nas redes sociais, as discussões e o resultado do julgamento ficariam como exemplo para a análise de futuras campanhas publicitárias similares.

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária diz que todo anunciante deve deixar claro para o consumidor que as peças publicitárias divulgadas ao público têm a intenção de vender um determinado produto.

A mesma determinação está no Código de Defesa do Consumidor, como lembra o diretor executivo da Fundação Procon-SP, Paulo Arthur Góes: "A comunicação de natureza publicitária deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal".

Outro lado. Procurada pela reportagem do Estado, a Nokia limitou-se a dizer que não havia sido notificada nem pelo Conar e nem pelo órgão de defesa do consumidor. Por isso, a empresa afirmou que não se pronunciaria imediatamente sobre o caso.

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