André Dusek/Estadão
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Perdidos, analistas de mercado correm ao Banco Central

Mercado quer entender qual é a estratégia da instituição para levar a inflação ao centro da meta nos próximos anos

Célia Froufe, Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2015 | 02h03

A mudança de foco da meta de inflação de 2016 para 2017 promoveu uma corrida extra dos analistas de mercado ao Banco Central para tentar entender a estratégia daqui para a frente. A demanda tem sido tanta que alguns economistas chegaram a ser recebidos em duplas por diretores do BC e outros aproveitaram a viagem a Brasília para fazerem mais de uma reunião no mesmo dia com diferentes interlocutores. O ponto de partida das audiências foram as incertezas em relação à inflação.

Há dúvidas sobre como os preços se comportarão em meio à recessão. Economistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, afirmaram que os porta-vozes do BC que os receberam foram firmes ao reforçar que a equipe trabalha para levar a inflação ao centro meta daqui a dois anos. O resumo dos encontros foi o de que ninguém está realmente certo do que vai acontecer. A torcida é para que a retração econômica ajude a fazer o trabalho do BC de levar o IPCA a convergir para o alvo no tempo esperado.

O Broadcast apurou que pelo menos quatro economistas de São Paulo se deslocaram para a sede da autarquia na segunda-feira para falar com diretores. Segundo a assessoria de imprensa do BC, foram "reuniões de rotina".

Além disso, três membros do Comitê de Política Monetária (Copom) saíram do Distrito Federal. Otavio Damaso (Regulação) e Anthero Meirelles (Fiscalização) estavam em São Paulo ontem e segunda-feira. Aldo Mendes (Política Monetária) foi ao Rio de Janeiro. Nos três casos, a agenda oficial trazia que os diretores participariam de atividades de trabalho nas capitais, mas sem compromissos públicos. Sabe-se, no entanto, que na maioria das vezes, encontros com economistas são agendados nessas ocasiões.

A mudança de atuação do BC em relação ao período para trazer a inflação para o centro da meta, conforme o diretor de Política Econômica, Altamir Lopes, explicou no início deste mês, se deu porque a alta dos preços administrados está mais intensa e prolongada do que o imaginado e também por causa da indefinição sobre a questão fiscal. Esses foram os principais temas das conversas que ocorreram essa semana na sede da instituição.

Reflexo principalmente desse cenário, o Relatório de Mercado Focus de segunda-feira trouxe pela primeira vez a expectativa de que o IPCA vai encerrar o ano acima de 10% e que o índice fechará 2016 no teto da meta, em 6,50%. Para 2017, que é o novo foco do BC, a expectativa para a inflação ficou 5%.

Reuniões entre analistas de instituições financeiras e diretores do BC são comuns. Em momentos de maior volatilidade, mudanças de rumo ou indefinições, tornam-se mais frequentes. É o caso agora. Essa busca por mais informações revela que as reuniões trimestrais feitas no Rio e em São Paulo não foram suficiente para sanar todas as dúvidas do mercado. O último encontro foi realizado no início deste mês com a estreia de Altamir na Política Econômica.

A cada três meses, a pretexto da preparação do Relatório de Inflação, esses encontros são realizados com o setor privado. Na última edição, conforme apurou o Broadcast, Altamir ouviu dos economistas que a política monetária (política de juros) estaria começando a ficar sob a dominância fiscal. A teoria, até agora refutada pela autoridade monetária e por alguns economistas de renome, considera que o desarranjo das contas públicas assume uma trajetória própria que anula a eficácia da taxa de juros no combate à inflação.

Ele disse na ocasião, segundo participantes do encontro, que o BC não tem nenhum compromisso com meta fiscal e sim com a meta de inflação. Repetiu ainda que, imbuído desse compromisso com o regime de metas de inflação, o Copom fará o que for necessário para levar o índice à meta.

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