Perdigão dá troco na Sadia e estuda fusão com Eleva

Acordo criaria empresa com potencial de receita maior do que o da Sadia, que já tentou comprar a Perdigão

O Estadao de S.Paulo

19 de outubro de 2007 | 00h00

A Perdigão, segunda maior empresa do setor de carnes de frango e suína do Brasi, e a Eleva Alimentos (antiga Avipal), anunciaram ontem que estudam a fusão de suas operações. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as empresa dizem que ''''serão informados ao mercado e aos seus respectivos acionistas a estrutura societária e a operacional a ser implementada pelas partes, bem como os demais termos e condições da operação, tão logo tenham sido definidos''''.Na prática, a Perdigão deve assumir o controle da Eleva. A operação deve ser feita basicamente com troca de ações, com Shan Bam Chun, presidente do conselho de administração e principal acionista da Eleva, tornando-se acionista minoritário da Perdigão. O valor de mercado da Eleva está hoje entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões.Com a operação, a Perdigão deve ultrapassar a rival Sadia - que tentou comprá-la no ano passado - em receita. O faturamento combinado da Perdigão e da Eleva no ano passado foi de R$ 7,1 bilhões, enquanto a Sadia teve uma receita líquida de R$ 6,8 bilhões.O porte maior serve também como uma espécie de defesa da Perdigão contra ofertas de aquisição como a feita pela Sadia no ano passado. A Sadia chegou a oferecer R$ 3,88 bilhões pelo controle da Perdigão, mas a oferta foi recusada pelos fundos de pensão, principais acionistas. Apesar do fracasso da tentativa, a impressão que ficou é que a Perdigão poderia ser alvo de novas tentativas de compra, até de empresas do exterior.A Eleva que comercializa carne de frango e suína, também é dona de marcas importantes de leite, como a Elegê, entre outros produtos lácteos. A empresa foi fundada em 1959, no Rio Grande do Sul. De acordo com informações do site da companhia, ela emprega hoje mais de 9 mil funcionários diretos e possui uma rede de quase 20 mil produtores de leite e 2,5 mil produtores integrados de frango e suínos.MERCADO EXTERNOSegundo uma fonte do mercado, a operação vai fortalecer a presença da Perdigão no Rio Grande do Sul, onde estão as principais operações da Eleva, e ampliação do mercado externo. No prospecto para abertura de capital apresentado este ano, a empresa informou que exporta para mais de 100 países, entre eles Alemanha, África do Sul, Arábia Saudita, Coréia do Sul, Itália, Holanda, Hong Kong, Japão e Rússia.Apesar de forte em frangos e suínos, o segmento de leite e lácteos é hoje o mais importante dentro da Eleva. No primeiro semestre, representou 55,9% da receita bruta da empresa - que foi de R$ 1,14 bilhão -, enquanto os frangos foram responsáveis por 30,9%, os suínos por 8,6% e os industrializados por 2,3%.O controlador da Eleva, o chinês Shan Bam Chun, totalmente avesso aos holofotes, decidiu em 2003, então com 74 anos, profissionalizar a gestão da empresa. O processo, tocado pela consultoria Galeazzi & Associados, culminou com a abertura de capital da companhia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) este ano.No primeiro semestre deste ano, a Eleva registrou uma receita líquida de pouco mais de R$ 1 bilhão, um crescimento de 15,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro líquido da empresa ficou em R$ 40,6 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 68,5 milhões registrado no primeiro semestre de 2006.Já a Perdigão teve uma receita líquida de R$ 3,05 bilhões no primeiro semestre, um crescimento de 35,3% na comparação com o mesmo período de 2006, enquanto o lucro bruto foi de R$ 822,3 milhões, um crescimento de 64,1%.Ontem, as as ações da Perdigão recuaram 2,9%, fechando a R$ 45,59 na Bolsa de Valores de São Paulo, enquanto as da Eleva avançaram 2,14%, fechando a R$ 19,10. O índice Bovespa teve alta de 0,11%.NÚMERO R$ 7,1 bilhõesseria a receita combinada de uma empresa surgida da fusão da Perdigão com a Eleva, com base em dados de 2006, superando os R$ 6,8 bilhões da Sadia

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