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Perdigão e Sadia estão perto de fechar negócio

Depois de uma troca de ações, haveria uma nova emissão com a participação do BNDES

David Friedlander, de O Estado de S. Paulo,

11 de maio de 2009 | 21h23

Está muito perto de ser concluída a negociação para juntar a Perdigão e a Sadia, duas das maiores companhias de alimentos da América Latina. Pelo que ficou acertado, a Perdigão incorporaria a Sadia por meio de uma troca de ações. A Perdigão ficaria com cerca de 70% da nova companhia e a Sadia com cerca de 30%. Não haveria desembolso de dinheiro num primeiro momento. A empresa que sairia da associação das duas companhias ficaria listada no Novo Mercado, onde já são negociadas as ações da Perdigão.

 

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O acordo prevê, numa segunda fase, a entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do BNDES Par. O banco entraria como investidor em uma emissão de papéis que deverá acontecer poucos meses depois da assinatura do contrato para criação da nova companhia.

 

Os bancos envolvidos na operação discutiam ontem o valor das ações para a operação de troca. Até o início da noite não tinham chegado a um acordo, mas as diferenças agora seriam mínimas. "Está na casa da vírgula. É 1% para um lado ou 1% para outro", afirma um executivo envolvido na operação.

 

Quando as instituições chegarem a um consenso, os acionistas serão consultados. Apenas do lado da Sadia são mais de 50 signatários do acordo de acionistas - integrantes das famílias Fontana e Furlan, entre outros - que ainda se dividem em outras ramificações e sub-acordos. Procuradas, Sadia e Perdigão não quiseram se pronunciar.

 

A nova emissão de ações foi a forma encontrada para capitalizar a companhia e resolver a questão do endividamento da Sadia, que perdeu R$ 2,6 bilhões com operações de derivativos cambiais no ano passado. A intenção é que o BNDES entre na operação com a compra desses papéis. A operação ainda não passou pelo conselho do BNDES. O lançamento de ações serviria ainda para remunerar os acionistas que quisessem liquidar suas posições.

 

Há anos que Sadia e Perdigão estão às voltas com uma possível fusão. Na primeira vez em que a ideia surgiu, em 2006, quem estava com maior capacidade de caixa era a Sadia, que lançou oferta de compra hostil. A proposta foi recusada pela Perdigão e agora o jogo de forças mudou.

 

A Perdigão cresceu nos últimos anos com aquisições como a dos laticínios Eleva, dona da marca Elegê. No ano passado, ela passou a Sadia em faturamento, com R$ 11,3 bilhões. A empresa registrou lucro de R$ 54 milhões.

 

A Sadia, que vinha em um processo de forte expansão, com altos investimentos e abertura de novas fábricas, fechou 2008 com um faturamento de R$ 10,7 bilhões. As operações malsucedidas com derivativos de câmbio levaram a empresa a registrar, no ano passado, o primeiro prejuízo de sua história, de R$ 3,8 bilhões.

 

Desta vez, a Sadia tentou outras negociações antes da Perdigão, procurando fundos de investimento dispostos a capitalizá-la. Como não apareceu nenhuma proposta animadora, seus acionistas passaram a dar mais atenção ao interesse da arquirrival. Segundo analistas de mercado, a união seria o caminho mais sensato para as duas.

 

Grandes exportadoras, no exterior a Perdigão é uma empresa de commodities, enquanto a Sadia tem uma marca forte em algumas mercados como Rússia e países da América latina. Os ganhos de sinergia, considerando apenas economias mais óbvias como os gastos com distribuição, seria da ordem de R$ 2 bilhões, quase 10% do faturamento somado das duas companhias (R$ 22 bilhões).

 

Com a provável união das duas empresas, as ações ficarão pulverizadas no mercado acionário. Mas dois grandes grupos de acionistas vão se destacar. De um lado, os fundos de pensão liderados pela Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, que são os controladores da Perdigão com mais de 30% da empresa. A Previ sozinha detém 14,16% da Perdigão e 7,33% da Sadia.

 

Ao final, a Previ e as famílias controladoras da Sadia ficariam mais ou menos com o mesmo porcentual. Mas a Previ seria a maior acionista individual.

 

A associação de Sadia e Perdigão teria de ser submetida aos órgãos de defesa da concorrência. Analistas não acreditam, contudo, que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) venha a impor maiores restrições, uma vez que o governo tem como política estimular a criação de grandes multinacionais brasileiras. As negociações entre Sadia e Perdigão não envolvem o banco e a corretora Concórdia, que permanecem nas mãos dos controladores da Sadia.

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