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Perdigão e Sadia superam entraves para criar a Brasil Foods

Representantes das duas empresas definiram ontem as principais questões que faltavam para assinar contrato

David Friedlander e Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2009 | 00h00

Depois de meses de suspense e várias reviravoltas, os principais acionistas de Sadia e Perdigão resolveram ontem as últimas pendências técnicas para a união das duas companhias. Executivos de bancos e advogados que representam os acionistas passaram o fim de semana discutindo como resolver as questões que faltavam para a assinatura do contrato. Segundo uma fonte ligada às negociações, "há 99% de chances" de a fusão ser anunciada hoje. Confira multimídia sobre a fusãoOs controladores das duas empresas já haviam acertado o negócio desde a semana passada, mas faltava esclarecer alguns pontos. A principal dúvida era o que fazer com a holding financeira, que controla o banco e a corretora da Sadia, e que tem um patrimônio líquido de cerca de R$ 200 milhões. A holding não foi incluída no negócio, mas acionistas da Sadia gostariam de transferi-la para a nova empresa para, em seguida, vendê-la. Já os controladores da Perdigão não aceitaram a transferência, mesmo que temporária, com o argumento que o estatuto da companhia proíbe a participação em bancos. Com a recusa da Perdigão, os sócios da Sadia cogitaram ficar com a holding, mas desistiram depois de avaliar que sem a grife e a estrutura da Sadia seria arriscado manter um banco. A solução encontrada foi a liquidação do banco, mesmo implicando em perdas para os acionistas. Já a corretora provavelmente será transferida para a nova empresa, para ser vendida em seguida.Com a superação dessa questão, os advogados foram encarregados de preparar os contratos. Até o início de ontem, os papéis ainda não haviam sido assinados. Mas os acionistas das duas empresas têm pressa. Eles avaliam que quanto mais rápido fecharem negócio menos resistência enfrentarão para a fusão.NOVO NOMEA Brasil Foods, esse é o nome de batismo, nasce exibindo uma coleção de títulos globais, segundo os especialistas: maior empresa de alimentos industrializados do Brasil, a 10 ª maior das Américas, número um do mundo no processamento de carne de frango. Populares e respeitadas pelo consumidor brasileiro, as marcas Sadia e Perdigão serão mantidas.A operação será feita por meio de uma troca de ações. A ideia é que os papéis da nova empresa tenham liquidez e valorização suficientes para oferecer às famílias Fontana e Furlan, controladoras da Sadia, condições satisfatórias se quiserem sair do negócio. Os acionistas da Perdigão ficarão com 68% da Brasil Foods e os da Sadia com 32%.Como o capital da empresa ficará pulverizado no mercado de ações, os dois grandes acionistas de Sadia e Perdigão continuarão predominando na nova sociedade. São a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que lidera os controladores da Perdigão, e as famílias Fontana e Furlan, da Sadia. O conselho de Administração terá dois presidentes: Nildemar Secches, da Perdigão, e Luiz Fernando Furlan, da Sadia.Numa segunda etapa, o negócio prevê uma emissão pública de ações, para captar algo como R$ 4 bilhões. O BNDES pode entrar na operação, comprando papéis da nova empresa. Os recursos serão usados para capitalizar a companhia e tentar equacionar as finanças da Sadia, que entra na Brasil Foods carregando um prejuízo de R$ 2,6 bilhões com derivativos de câmbio.A operação dá origem a uma estrutura que emprega cerca de 100 mil funcionários, vende seus produtos em mais de cem países e faturou R$ 22 bilhões no ano passado. No Brasil, a nova empresa domina mais de 50% do mercado em diversos segmentos, como carnes congeladas, massas e margarinas. A maior transformação deverá ocorrer no cenário internacional. A expectativa dos analistas é que a partir de agora a Brasil Foods concentre forças no exterior. Uma passará a vender os produtos da outra. O plano é aproveitar a boa imagem da Sadia no exterior. Hoje, sua marca pode ser avistada em outdoors nas ruas de Bagdá ou de Moscou. Uma das primeiras providências, segundo um dos acionistas da nova companhia, será reavaliar duas providências tomadas pela Sadia como reação à crise: a venda da fábrica da Sadia em Kaliningrado, na Rússia, e o engavetamento do projeto de construção de uma nova unidade nos Emirados Árabes.OBSTÁCULOSA partir de agora a Brasil Foods terá pela frente decisões importantes e alguns obstáculos. No campo das escolhas, será preciso enxugar custos. Os analistas mais radicais falam em ganhos de sinergia de até R$ 4 bilhões, o que significa fechar fábricas em áreas onde as duas empresas estejam muito próximas umas das outras, unificar estruturas, demitir funcionários.Entre as barreiras, destacam-se o processo de aprovação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)e a situação financeira da Sadia. O percurso no Cade tende a ser difícil, já que há forte concentração de mercado em vários segmentos.Quanto ao quadro financeiro da Sadia, a tentativa de diluir seu endividamento dentro da nova estrutura envolve uma oferta pública de ações para captar cerca de R$ 4 bilhões. Nos balanços do primeiro trimestre, as duas empresas apresentaram um prejuízo somado superior a R$ 400 milhões.

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