Peres critica nomeação de funcionário petista no FMI

A nomeação do economista Paulo Nogueira ao cargo de novo representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI) criou mal estar, nesta terça-feira, 27, no Senado. O fato é que o economista acumula a nova função com o cargo de assessor do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) - com salário de R$ 9 mil - além de ser pesquisador e professor da Fundação Getúlio Vargas e colunista em dois jornais. De acordo com o senador Jefferson Peres (PDT-AM), a conduta seria "uma anomalia". "Como fica o tempo que ele usa para compensar o salário?", questionou. Péres foi o autor de um requerimento à mesa questionando se é legal ou não manter contratados de cargos de confiança do Senado fora de Brasília. A resposta foi a de que há uma resolução autorizando essas nomeações.Ele disse ter deduzido, a partir dessa informação, que a pessoa com vínculo empregatício com o Senado tem de prestar serviço compatível com o salário. No seu caso específico, afirmou que seus assessores em Manaus foram contratados para atender exclusivamente às suas necessidades como senador. "É muito esquisita a situação do senhor Paulo Nogueira. Eu não quero julgar se ele presta ou não bons serviços ao senador Suplicy, mas me parece uma situação anômala", frisou. Sobre a nomeação para o FMI, o senador aponta incoerência no procedimento de Nogueira. "Quem sempre condenou a política econômica do governo, vai representar este mesmo governo num órgão que ele sempre combateu", protestou. Em carta que trocou com o senador Suplicy em novembro de 2005, quando aceitou o cargo de assessor técnico do Senado, Paulo Nogueira afirma que suas "divergências antigas e públicas com o seu partido (o PT) e com a área econômica e outros aspectos do governo Lula só fizeram se agravar desde a chegada de Lula à Presidência". "O meu receio era que isto pudesse ser interpretado por terceiros como contraditório com a minha posição de economista independente, não vinculada a qualquer partido político", justifica. Mais na frente, o economista afirma na carta que as explicações do senador (de que o cargo não teria ligação com o partido) serviram para que ele tivesse certeza que a sua atuação pública como economista, "que freqüentemente diverge, não raro de forma agressiva, do rumo e da condução das políticas governamentais, não iria lhe causar nenhum tipo de constrangimento enquanto integrante do PT e da base governamental do governo no Senado".

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