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Perfil da região já começa a mudar

Complexo petroquímico deve criar 200 mil empregos em 11 municípios

Irany Tereza, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

Ao longo da rodovia RJ-116, que segue para a região serrana do Rio de Janeiro, sinalizações por mais de 20 quilômetros na altura no município de Itaboraí indicam o caminho do Comperj. Um dos principais estandartes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Complexo Petroquímico do Rio começa a mudar a paisagem na região. Placas se sucedem, anunciando venda e aluguel de terrenos, além da oferta de alojamentos. No canteiro, entre equipamentos topográficos, escavadeiras e caminhões, trabalham 2.500 pessoas, nivelando o terreno antes acidentado, abrindo lagos, retirando areia, instalando torres elétricas.Os anúncios nos terrenos vizinhos denunciam a valorização imobiliária que chegou do dia para a noite ao bairro de Sambaetiba, no município de Itaboraí. Como as vizinhas Tanguá, Cachoeiras do Macacu e Silva Jardim, a cidade é uma zona rural, onde o esgoto não chega a 1% da população e os poços artesianos ainda substituem a rede de água tratada.O material publicitário do Comperj prevê a criação de 200 mil empregos, entre diretos, indiretos e pelo efeito de geração de renda. Uma oferta como essa mudaria o perfil da região. "Estamos preocupados com o que fazer com esse povo que vai deixar suas cidades e vir para cá. Estamos trabalhando para que isso não seja um problema, mas uma solução", diz Carlos Pereira, prefeito de Tanguá e presidente do Conleste, o consórcio criado para reunir os 11 municípios afetados pela obra.Ainda faltam pelo menos três anos para o início das operações, mas o aumento da população flutuante provocado pela obra já começa a mudar a rotina na região. Por enquanto, para melhor. O argentino Guido Romeo, dono de um restaurante na RJ-116, já sente a transformação. "Abríamos de sexta a domingo. Por causa do Comperj, passamos a abrir também às quintas e segundas-feiras. Tivemos de aumentar de seis para dez o número de funcionários e o movimento cresceu 40%."A Petrobrás inaugurou no município vizinho de São Gonçalo um centro de profissionalização que já formou 5 mil pessoas. Espera obter da população local a maior parte da mão de obra especializada, para atenuar os efeitos do crescimento desordenado. Macaé, cidade do norte fluminense que abriga a sede dos trabalhos exploratórios da Bacia de Campos, entrou para o mapa da violência nacional com a mesma rapidez com que passou a ocupar as primeiras colocações do PIB per capita. Hoje, a cidade, antes um balneário tomado por chácaras, é cercada por mais de 11 favelas.

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