Perfuração começou há quatro anos em Santos

Estatal não informou, nessa investida, se havia petróleo

, O Estadao de S.Paulo

31 de agosto de 2009 | 00h00

Os primeiros passos para a exploração do pré-sal no Brasil foram dados há quatro anos, quando a Petrobrás anunciou sua primeira perfuração abaixo da camada de sal, em águas profundas. Na ocasião, a estatal comemorava o recorde de profundidade de perfuração. Foram 6,4 mil metros atingidos num poço exploratório na Bacia de Santos, a 200 km da cidade do Rio de Janeiro. Embora já se falasse numa nova fronteira exploratória, nessa primeira investida, a estatal não informou se havia encontrado petróleo ou gás. A confirmação de que a camada abaixo do sal continha mesmo petróleo só ocorreu em em outubro de 2006, quando a Petrobrás anunciou a descoberta de óleo e gás leve na Bacia de Santos.De lá para cá, uma sucessão de descobertas foi aos poucos confirmando o desenho de uma região com um grande potencial para a exploração de petróleo. Com isso, o País começou a se ver mais próximo de chegar à autossuficiência no combustível, alcançada no ano seguinte. E mais: o achado alimentou esperanças de que o Brasil, um dia, faça parte do clube de exportadores."(O Brasil) deve passar ao patamar onde estão os países árabes e a Venezuela", disse a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2007, na ocasião da divulgação da primeira projeção para o campo de Tupi. O megacampo, com reservas estimadas entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo, aumentaria em 50% as reservas do País. "Reservas como essa podem transformar o Brasil num país exportador de petróleo." "O Brasil está diante da descoberta de sua maior província petrolífera", afirmou José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás, na ocasião. Segundo ele, Tupi é apenas "uma pequena parte da nova fronteira."Meses antes, a Petrobrás também havia anunciado que encontrou petróleo no litoral do Espírito Santo.Em seguida ao anúncio de Tupi, o governo retirou os 41 blocos do pré-sal da licitação de áreas petrolíferas que seria realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O grande potencial da área fez o governo adiar as concessões, para que pudesse estudar primeiro como explorar melhor a riqueza. Mesmo com o adiamento, a agência registrou arrecadação recorde, de R$ 2,109 bilhões na rodada de licitações. Novos leilões foram suspensos no fim daquele ano e retomados somente no fim de 2008, apenas para lotes terrestres. Depois de Tupi, as descobertas se tornaram mais frequentes. Quarenta e dois dias depois, a estatal anunciou outra descoberta de óleo, no campo depois batizado de Carioca.No início de 2008, a Petrobrás anunciava a descoberta da reserva de gás de Júpiter. Após essa sequência de sucesso exploratório, o diretor de exploração da estatal, Guilherme Estrella, afirmou que o o risco estava praticamente descartado. Embalada pelas descobertas, a Petrobrás ultrapassou a Microsoft no ano passado e se tornou a terceira maior empresa das Américas em valor de mercado. Capitalizada e num cenário de alta do barril de petróleo, a estatal anunciou pacotes gigantes de encomendas para a indústria naval em maio daquele ano. NOVA LEI DO PETRÓLEOAs discussões políticas também não tardaram a surgir. Um dos primeiros a levantar a alteração na Lei do Petróleo foi o próprio presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli. Ele defendeu a mudança como forma de dar mais poder ao Estado na exploração, em junho do ano passado. O episódio fez com que o governador do Rio, Sérgio Cabral saísse em defesa dos royalties de petróleo. Para discutir a instituição de um novo marco regulatório para o setor, o governo criou uma comissão interministerial, cujos trabalhos começaram oficialmente em julho do ano passado. Em 2 de setembro de 2008, quando ocorreu a retirada do primeiro óleo do pré-sal, na bacia do Espírito Santo, a discussão política já havia avançado sobre a criação de uma outra estatal para gerir o pré-sal. No início de 2009, foi a vez de companhias privadas estrangeiras anunciarem suas primeiras descobertas na área do pré-sal. A americana ExxonMobil confirmou duas descobertas entre janeiro e março, seguida pela britânica BP, em abril.Nessa mesma época, a Petrobrás iniciou seus testes de produção em Tupi. Em julho, no entanto, o teste foi suspenso após uma falha nos equipamentos.Também em julho foi confirmado o primeiro poço seco do pré-sal, por parte da americana Hess Corporation na área de Guarani. Caso semelhante ocorreu em agosto com a BP.

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