Perigo maior em 2009 é de deflação, diz Mantega

Segundo ministro da Fazenda, inflação decorrente do câmbio em países emergentes é passageira

Da Redação,

09 de novembro de 2008 | 14h49

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os países do G-20 concluíram em encontro durante o final de semana que existe uma tendência mundial para a queda de preços no próximo ano. "O perigo maior é de deflação", disse, durante entrevista de encerramento da reunião, em São Paulo.   Veja também: Brasil propõe órgão supervisor global para enfrentar crise Saiba os assuntos que serão discutidos no G-20 De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Mantega explicou que alguns países emergentes que estão registrando uma forte saída de capitais em decorrência da crise financeira podem enfrentar um movimento de inflação passageira, porque o fluxo financeiro negativo desvaloriza suas moedas. "Mas esse é um movimento passageiro. A tendência em 2009 é de deflação, acompanhando a desaceleração do nível de atividade econômica no mundo", disse.   Questionado se o Banco Central brasileiro não iria acompanhar as medidas internacionais de cortes nas taxas de juros, Mantega afirmou que cada país está encontrando uma maneira específica de recuperar a liquidez no sistema financeiro. "Uns abaixaram (os juros) antes, outros depois. Todos devem calibrar a política monetária de acordo com suas peculiaridades", disse.   Ele voltou a ressaltar que a tendência, a médio e longo prazo, é de queda de preços, e afirmou que as autoridades monetárias saberão regular suas políticas para enfrentar esse novo cenário. Sobre a taxa de juros no Brasil, Mantega afirmou: "Se havia antes preocupação com excesso de demanda, ela dará lugar a outras preocupações. Mas cabe ao Banco Central decidir quando a política vai responder a essas necessidades".   Desde abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) vinha aumentando a taxa básica de juros brasileira, a Selic (atualmente em 13,75% ao ano) para combater o aumento de preços no País. Diante das perspectivas de agravamento da crise, porém, o Comitê decidiu em sua última reunião, em outubro, manter a taxa no nível em que estava.

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