PAULO WHITAKER | REUTERS
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'Permaneço até segunda ordem', diz Levy

Ministro da Fazenda afirma, na cúpula do G-20, que não foi passear na Turquia e lembra que tem respaldo da presidente para ficar no cargo

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2015 | 21h36

Mesmo com o fogo amigo cada vez mais intenso, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, diz que não se sente ameaçado no cargo ou a ponto de ser substituído. “Estamos navegando e permaneço até segunda ordem”, afirmou ao lembrar que tem respaldo da presidente Dilma Rousseff e não viajou à Turquia para a reunião do G-20 a passeio. Levy rechaçou a ideia de que a oferta de crédito pode destravar a economia e ainda acusou pessoas de “confundirem” o crescimento econômico gerado pelo boom das commodities com “trabalho forte de botar a casa em ordem”.

A mais de 10 mil quilômetros de Brasília, no balneário turco de Antália, Levy tentou mais uma vez afastar os rumores de que estaria sendo pressionado a deixar o governo. “O folhetim não é muito importante”, disse. “Estou aqui, tenho respaldo da presidente Dilma e não vim a passeio”, completou em entrevista no primeiro dia da reunião das 20 maiores economias do mundo, o G-20.

Com a acusação de que Levy usa um remédio muito amargo para a economia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é quem estaria liderando a pressão contra o ministro. Para Lula, a solução seria o substituir por Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central.

Levy já trabalhou com Lula e foi secretário do Tesouro Nacional no governo passado. Na Turquia, o ministro não falou mal do ex-chefe. “Nunca tive grandes diferenças com o presidente Lula. Uma das grandes sabedorias (de Lula) foi ter paciência ao contrário de outras pessoas que querem fazer tudo ao mesmo tempo.

A grande lição dele foi fazer as coisas no seu tempo”, disse. O aumento gradual do salário mínimo foi citado como exemplo da “persistência e paciência” do ex-presidente.

Receituário. Apesar do elogio, o ministro da Fazenda rejeitou o receituário que Lula estaria defendendo nos bastidores: voltar a incentivar a economia com aumento gradual do crédito para empresas e, em seguida, para famílias. Essa foi a fórmula bem sucedida usada na crise de 2008 pelo governo Lula e que permitiu ao Brasil passar tranquilamente pelos primeiros cinco anos da crise.

“A situação de hoje é distinta de 2008”, resumiu Levy. “Não há problema de oferta de crédito. O problema é a normalização da economia. Hoje, é preciso estabelecer as condições de demanda”, explicou. Levy lembrou que, entre outubro de 2008 e o início de 2009, o mercado de crédito mundial permaneceu estagnado mesmo com o corte de juros em vários países. Mesmo com os incentivos, o crédito só voltou a fluir quando as incertezas diminuíram.

Para Levy, a atual situação do Brasil é parecida. “Não tem nada de errado na economia brasileira. As famílias e as empresas brasileiras não têm grande alavancagem. O governo tem um pouquinho, mas está se cuidando” disse. “Então, quando você conserta, a resposta é rápida”, disse. O ministro tem defendido o chamado “Plano 123” que consiste em 1) Orçamento mais robusto; 2) Retomada da demanda e 3) Expansão da oferta. Nessa caminhada, o ministro disse que o Brasil “está no 0,7”.

Por isso, Levy defende que “não há fórmula mágica”. “Tem trabalho difícil para fazer e o segredo é ter paciência”, disse. Levy comentou que “algumas pessoas confundem” as razões do sucesso da economia brasileira na última década. O ministro lembrou que há dez anos o País “ainda tinha a ajudinha das commodities” e que alguns “confundem com o que foi resultado de trabalho forte, de botar a casa em ordem”. Ou seja, o ministro sinalizou que parte do sucesso econômico na década passada veio via commodities e não apenas porque a gestão econômica foi irretocável.

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