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Permanência do Uruguai no Mercosul seria incompatível com acordo com os EUA

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, indicou nesta sexta-feira que seria incompatível a permanência do Uruguai no bloco econômico, caso o país vizinho leve adiante sua decisão de firmar um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos. Amorim ressaltou sua oposição às teses em favor do recuo na integração do Mercosul, para torná-lo apenas uma zona de livre comércio, e reconheceu que as iniciativas tomadas desde 2003 para diminuir as assimetrias econômicas entre os sócios não foram suficientes.Seu ponto de vista foi expresso poucas horas antes de seu embarque a Canoas (RS), onde acompanhou a última tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de demover Tabaré Vázquez, do Uruguai, de negociar com os americanos."Nós somos muito respeitosos da decisão soberana dos outros países. Mas achamos que a integração do Mercosul é boa", declarou, ao ser questionado sobre a decisão de Montevidéu de iniciar as negociações com Washington no próximo mês de outubro. "Hoje em dia, para ser sócio pleno do Mercosul, é preciso ser membro da união aduaneira e ser uma democracia", enfatizou Amorim.Na semana passada, o embaixador do Brasil em Montevidéu, José Eduardo Felício, assinalara publicamente a incompatibilidade entre a permanência do Uruguai no Mercosul com seu possível acordo comercial com os Estados Unidos. Felício rebatera uma espécie de "grito de independência" do Uruguai, em relação ao Mercosul, desferido pelo presidente Vázquez no último dia 26. Em princípio, o acordo do Uruguai com os Estados Unidos deverá determinar a renúncia obrigatória, por Montevidéu, da união aduaneira - o compromisso dos sócios do Mercosul de formar uma espécie de célula, que adota a mesma política tarifária para o comércio internacional e negocia conjuntamente acordos comerciais.Amorim reconheceu novamente que as medidas em favor das chamadas "economias menores" do Mercosul tomadas logo no início do governo Lula não foram suficientes para diluir a sensação do Paraguai e do Uruguai de que o bloco trouxe menos benefícios que à Argentina e ao próprio Brasil. Entretanto, lembrou-se que a aprovação do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul será significativo para a correção desses dilemas. "Temos consciência de que é preciso mais financiamento, investimento em infra-estrutura e trabalho na integração de cadeias produtivas. Mas isso não se dá do dia para a noite."As sucessivas ameaças do Uruguai de fechar um acordo amplo com os Estados Unidos e o avanço lento do Mercosul nos últimos anos também alimentaram os argumentos em favor da redução do nível de ambição do bloco. Muitos analistas consideram que o bloco deveria abandonar suas pretensões de caracterizar-se como uma união aduaneira e concentrar-se apenas no livre comércio entre seus sócios. A tese é refutada pelo Itamaraty. Mas Amorim reconhece que está no ar a questão sobre qual Mercosul a região pretende construir. O projeto inicial previa a consolidação paralela da zona de livre comércio e da união aduaneira, com o objetivo de alcançar um mercado comum. "Muita gente fica falando aqui na América do Sul sobre a construção da Pátria grande, de uma ação sul-americana. Não sei se nós chegaremos a isso, quando chegaremos a isso, nem se nos interessa chegar a isso", afirmou, em referência ao projeto paralelo de integração da região, liderado também pelo Brasil. "Se não for mantida a união aduaneira, qual será a diferença entre o Mercosul e a Comunidade Sul-americana? Nenhuma."Para Amorim, a História provou que os processos de integração baseados na construção de uma união aduaneira avançaram e adquiriram uma "dimensão política maior". O chanceler valeu-se como exemplos da unificação alemã, no século XIX, baseada em uma união aduaneira, e da Área de Livre Comércio Européia (EFTA), que perdeu relevância ao passo que a União Européia consolidou-se e ampliou-se. "Ninguém se lembra hoje do EFTA", arrematou.

Agencia Estado,

08 de setembro de 2006 | 18h21

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