Permanência no emprego atinge recorde de 161,2 semanas

O tempo de permanência do brasileiro no seu emprego atingiu um patamar recorde de 161,2 semanas (ou pouco mais de três anos) no primeiro trimestre deste ano. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilados pelo jornal "O Estado de S. Paulo", este patamar é o mais alto de toda a série histórica do instituto, iniciada em 2002.

JOÃO VILLAVERDE, Agencia Estado

15 de maio de 2014 | 20h05

No primeiro trimestre de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência, o indicador apontava uma duração média de 135 semanas. Isso significa que em pouco mais de uma década, subiu de dois anos e meio para 3,1 anos a duração média do contrato de trabalho formal no País.

Os números vão na contramão das despesas cada vez maiores com o seguro-desemprego, gastos que o governo promete há anos que vai reduzir. Entre janeiro e março, o governo Dilma Rousseff gastou R$ 10,1 bilhões com seguro-desemprego e abono salarial, volume 20% superior a igual período do ano passado. Pressionado pelo mercado, investidores internacionais e agências de rating por conta do desempenho fiscal do governo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu duas vezes, nos últimos 3 anos, que reduziria essa despesa. Isso ainda não aconteceu.

Segundo o economista João Saboia, especialista em mercado de trabalho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os dados levantados pelo jornal "O Estado de s. Paulo" podem indicar uma nova atuação do trabalhador brasileiro com seu emprego: diante do desaquecimento do mercado de trabalho, que continua crescendo mas a ritmo muito mais fraco que o verificado de 2005 a 2013, o trabalhador tem "esticado" sua permanência no trabalho.

"Uma hipótese é que esses dados indicam isso e, também, empresas menos dispostas a trocar a mão de obra, retendo os seus profissionais por mais tempo, aguardando uma nova tendência, seja ela de crise, algo que parece mais difícil, ou de novo ciclo de crescimento", disse Saboia.

Recorde

O dado mais elevado de toda a série foi encontrado em março deste ano, quando o tempo mediano de permanência no emprego chegou a 164,5 semanas, ou quase 3,2 anos. No mês anterior, o indicador apontava 161,1 semanas. Nunca, em 12 anos de dados mensais, esse termômetro havia registrado 160 semanas ou mais.

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), especialista em emprego, Hélio Zylberstajn, os dados levantados pelo jornal "O Estado de S. Paulo" podem indicar um aumento da formalização no mercado de trabalho. Como a pesquisa do IBGE é feita com trabalhadores formais e também informais, e o tempo de permanência tem crescido, esse fenômeno pode ser a formalização: "O trabalhador já desempenhava a função como informal, e depois teve a carteira assinada, e isso prolonga o tempo total na vaga", disse.

"A grande notícia é o que está acontecendo neste momento, em 2014", disse Saboia, "porque o ritmo dos últimos anos tem sido razoavelmente parecido, e começou a subir mais fortemente neste ano".

O jornal "O Estado de S. Paulo" levantou nos arquivos do IBGE os dados que indicam o tempo "mediano" de permanência no trabalho principal, coletados mensalmente pelos técnicos do instituto junto à Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Esse indicador aponta exatamente o ponto central dos dados. Isto é, no primeiro trimestre de 2014, metade dos trabalhadores brasileiros estava menos de 161,2 semanas no emprego principal, e outra metade, mais tempo.

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