Hélvio Romero/Estadão - 12/3/2020
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Pernambucanas retoma loja itinerante depois de interrupção pela pandemia

Caminhão adaptado serve como "degustação" dos novos pontos de venda no interior do País; coronavírus tirou dos planos da rede 10 das 50 novas lojas previstas para este ano

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2020 | 11h00

A Pernambucanas buscou inspiração no velho carro de boi e no carnê - dois ícones do passado - para turbinar o plano de expansão e conseguir mais clientes para as lojas que a companhia está abrindo este ano.

Em meados de março, antes da pandemia, a varejista  tinha colocado na estrada o protótipo de uma loja adaptada dentro de um caminhão, o Volkswagen Constellation. O veículo recebeu investimento de R$ 2 milhões para ganhar a cara da loja física da rede.

A ideia da loja itinerante é fazer uma espécie de “degustação” para o consumidor. Ela chega às cidades três dias antes da abertura do novo ponto de venda para cadastrar clientes, emitir cartões e mostrar tudo que é oferecido: de linhas de produtos à compra digital para retirada da mercadoria na nova loja física que será inaugurada.

No entanto, com a decretação do isolamento social e o fechamento do comércio no País, o projeto foi interrompido. “O caminhão foi até Corumbá (MS) e voltou”, conta Sergio Borriello, presidente da Pernambucanas.

Desde o final de agosto,  porém, o projeto foi retomado com adaptações de protocolos sanitários por causa da pandemia. De lá para cá, a loja itinerante já percorreu 7 mil quilômetros e passou por seis cidades.

“Vamos usar essa estratégia especialmente para desbravar mercados em cidades onde não estamos presentes”, diz Borriello. Nos primórdios da companhia, que tem 112 anos, lembra, o carro de boi era usado para vender mercadorias em cidades vizinhas daquelas onde havia uma loja.

Na avaliação do consultor de varejo Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, essa é uma estratégia muito eficiente no sentido atrair clientes e alavancar as vendas da loja física. “Ela acelera a maturação da loja em termos de vendas.” 

Em cidades pequenas, a chegada do caminhão gera um boca a boca  e cria expectativas de consumo, especialmente neste momento em que as vendas de artigos de vestuário, um dos segmentos nos quais a Pernambucanas atua, estão muito afetadas pela pandemia por causa do isolamento social.

Novas lojas

Além atrasar o projeto da loja itinerante, a pandemia retirou dez lojas de 50 inicialmente previstas para este ano. “Dez foram perdidas, não tem como recuperar” diz Borriello. O plano de expansão revisto prevê 40 novas lojas para este ano, das quais 17 inauguradas, e 60 novos pontos de venda para o ano que vem.

Mesmo com o ajuste, o número de inaugurações será expressivo, somando cem novas lojas em dois anos É um número 40% maior do que a soma dos últimos três anos. Os investimentos em lojas novas em 2020 e 2021 devem atingir R$ 400 milhões.

Outro pilar da estratégia da varejista para conquistar clientes foi a parceria fechada com a marca de cosméticos Jequiti, do Grupo Silvio Santos. Desde o começo de março, a rede vende o tradicional o carnê Baú da Felicidade nas  390 lojas e o consumidor pode também pagar a prestação no ponto de venda, resgatando o que foi investido em cosméticos da marca.

“A parceria com o Baú capta novos clientes e está indo muito bem”, conta  Borriello. Ele explica que o carnê traz fluxo para as lojas e as possibilidades de vendas aumentam. “Quando a pessoa vai pagar a prestação, ela sempre compra alguma coisa.” Além disso, o executivo explica que o perfil do cliente da Jequiti coincide com o da Pernambucanas, o que amplia o potencial de  vendas. “Há uma aderência importante entre os públicos.”

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