Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Persio Arida vê chance para ‘salto’ do crédito no País

Para ex-presidente do BC, Brasil passa por uma mudança rumo a um pensamento mais liberal

Altamiro Silva Júnior, Broadcast

25 Agosto 2017 | 22h27

O economista Persio Arida, ex-presidente do Banco Central e ex-sócio do BTG Pactual, afirmou ontem estar otimista com o cenário para o Brasil e que a agenda “muito positiva” de reformas e medidas institucionais no País vai possibilitar novo salto nas concessões de crédito na economia brasileira.

Arida ressaltou, durante evento no Insper, que o Ministério da Fazenda e o Banco Central retomaram uma agenda de mudanças que se perdeu no governo anterior e começou até a ter uma involução. O economista lembrou o caso do Chile, que, após implementar reformas, muitas delas feitas bem antes que no Brasil, viu a participação do crédito saltar de 10% para 80% do Produto Interno Bruto (PIB). “No Brasil hoje temos uma agenda extraordinária, uma agenda institucional de inovação.”

Arida afirmou no evento estar otimista com o Brasil e o avanço da agenda de reformas, mas disse que, para isso, é preciso também ter um ambiente doméstico e externo favorável. O economista lembrou que o cenário externo segue benigno e há um apetite dos investidores, que derrubaram os prêmios de risco não só no Brasil, mas em vários outros países emergentes.

Desde o impeachment de Dilma Rousseff, Arida observou que houve uma série de mudanças importantes na economia doméstica: a recessão terminou e o País engata uma lenta recuperação, o Congresso aprovou medidas que poucos acreditavam naquele momento que iam passar, como a reforma trabalhista e o teto para os gastos públicos, e Michel Temer conseguiu montar uma boa equipe.

Distorções institucionais variadas e a macroeconomia mal conduzida no governo anterior, disse Arida, provocaram no Brasil uma hipertrofia do crédito e geraram uma instabilidade macroeconômica.

A agenda econômica mais liberal no Brasil, destacou o economista, começou com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ainda em meio às dificuldades do governo Dilma Rousseff, seguiu com a atual equipe econômica e a terceira etapa pode ser a eleição de 2018. “Acho que podemos ter, não agora, mas a partir de 2019, chances bastante grandes de colher os frutos do excelente trabalho que está sendo feito agora.”

O ex-presidente do BC vê uma mudança de mentalidade no Brasil, em direção a um pensamento mais liberal, que favorece o avanço dessa agenda. “É uma agenda de eficiência de mercado, de livre iniciativa.” O mesmo movimento é visto em outros países da América Latina, como Argentina, Chile e Peru, disse ele, ressaltando que ele vai permitir o aprofundamento financeiro na economia brasileira e em outros países da região.

“Há uma agenda de reformas institucionais corretas”, disse Arida. O economista, porém, minimizou os riscos de um aprofundamento financeiro excessivo no Brasil. O Banco Central, disse ele, é mais conservador do que complacente.

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