Persiste a tendência de desaceleração do varejo

A alta de 1,1% no volume de vendas do comércio varejista restrito, entre julho e agosto, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não permite comemoração. O aumento não compensou as quedas do bimestre junho/julho nem chegou ao comércio varejista ampliado, que inclui veículos e material de construção - neste conceito, houve queda de 0,4% em relação a julho, determinada pelo desempenho fraco das vendas da indústria automobilística.

O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2014 | 02h04

Com juros altos e crescimento econômico muito baixo, estimado entre zero e 0,3% neste ano, uma reação mais forte do comércio não é prevista. A reação deveria ser mais expressiva quando se leva em conta que a Copa do Mundo foi realizada em junho e julho, derrubando a atividade econômica. Em julho, segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo, o faturamento das lojas da capital, de R$ 12,5 bilhões, mostrou um recuo de 10% em relação a julho de 2013.

A expectativa dos agentes econômicos é de "moderação no consumo das famílias", como enfatizaram os analistas do Bradesco.

Em agosto, pelo critério de média móvel trimestral, o volume de vendas no varejo restrito diminuiu 0,2% e no varejo ampliado caiu 0,5%, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE. No acumulado de 2014, a queda do varejo ampliado foi de 1,5% em relação a 2013, com crescimento de 4,2% na receita nominal. Ou seja, a inflação (IPCA de 4,61%) não foi compensada - o varejo tende à estagnação.

Pode-se, de fato, falar em melhora do volume de vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que cresceu 7,5% no mês, mas tampouco nesse item foi compensada a queda dos meses anteriores, e o acumulado no ano ainda é negativo em 4,2%. Situação semelhante ocorreu com tecidos, vestuário e calçados, com alta de 3,2% no mês, mas recuo de 1,3% quando se comparam os primeiros oito meses de 2013 e 2014.

Mais grave é a fraqueza das vendas no item hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: queda de 0,1% entre julho e agosto, depois da queda de 1,1% entre junho e julho. Nesse item, a comparação entre os meses de agosto de 2013 e de 2014 foi negativa em 1,7%. O significado desses indicadores é que muitas pessoas reduziram as despesas de consumo básico. É possível que estejam optando por pagar dívidas, evitando a inadimplência.

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