Perspectiva de melhor Natal influenciou preços

A inflação pode estar refletindo agora a entrada na economia dos recursos do pagamento das parcelas referentes à correção da defasagem sofrida pelos recursos depositados no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no decorrer dos Planos Verão e Collor. Vários analistas passaram a considerar mais esta variável como fator de pressão sobre a inflação nas últimas semanas. O FGTS, segundo defendem os economistas Odair Abate e Wilson Ramião, do Lloyds TSB, e Marcelo Cypriano, do BankBoston, acabou antecipando, em parte, o processo de limpeza dos nomes das pessoas que estavam inadimplentes no sistema financeiro e no comércio. Normalmente o consumidor só começa a se reabilitar para novos financiamentos a partir do momento em que recebe o 13º salário, o que ocorre entre novembro e dezembro. Como a reabilitação este ano foi feita antes, o consumidor chega aos dois últimos meses do ano com uma capacidade maior de contrair novos financiamentos e créditos para as compras de final de ano. "O fenômeno de se limpar o nome com o 13º salário já ocorreu, em parte, com o FGTS dos Planos Collor e Verão. Isso poderá até gerar dúvidas no Banco Central quanto à taxa Selic, que no curto prazo não deverá ceder", diz Ramião.Para o economista, o que poderá trazer um certo alívio para a inflação, isso em dezembro, será a ausência de reajustes de preços administrados e o câmbio, que deverá se estabilizar. "Além disso, no decorrer do ano, as pessoas mantiveram-se numa posição mais conservadora em relação ao consumo e menos expostas à inadimplência. Isso faz com que agora elas estejam livres para consumir, o que facilita o repasse de preços", diz o economista-chefe do Lloyds, Odair Abate.No entender do economista Sênior do BankBoston, Marcelo Cypriano, a transferência fiscal via FGTS para a população de baixa renda elevou as perspectivas de um bom Natal. "Mas os repasses para os preços com vistas ao Natal ocorreram entre outubro e novembro, o que justifica a inflação que estamos vendo agora", diz Cypriano. Em dezembro, diz ele, normalmente a inflação cai. O impacto do FGTS, segundo o economista do Boston, poderá ser sentido com mais intensidade apenas no primeiro trimestre do próximo ano "porque se as perspectivas de um bom Natal forem confirmadas as empresas terão que promover no próximo ano um ajuste de seus estoques, com conseqüências sobre os indicadores de inflação."

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