Perspectivas de queda dos juros ao consumidor

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15,25% ao ano, não impede que as taxas de juros no crédito direto ao consumidor (CDC) e no cheque especial continuem caindo ao longo do ano. Isso porque, além da taxa básica de juros, outros fatores, como o nível de inadimplência e os custos operacionais das financeiras, também influem na taxa de juros cobrada ao consumidor.De acordo com Henrique Pereira Gomes, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) o mercado de crédito está em expansão e o acirramento da concorrência obriga as instituições a reduzir os juros para conquistar clientes. Por isso, independentemente da redução da Selic, a taxa de juros para o consumidor deve continuar caindo. "Estamos trabalhando para simplificar procedimentos burocráticos que aumentam os custos operacionais das financeiras. Assim que esse processo for concluído, os juros devem cair ainda mais", diz. Outro fator determinante para que haja redução dos juros em empréstimos e financiamentos é o nível de inadimplência. Para o diretor financeiro da Fináustria, Moisés Jardim, as financeiras estão mais cautelosas para reduzir juros, já que o nível de inadimplência apresentado no mês de janeiro foi bastante superior ao mesmo período do ano passado. Alexandre Marinho, presidente da Easy Cred, promotora de crédito virtual, também acredita que as financeiras não reduzirão imediatamente a taxa de juros, pois ainda não têm certeza de como estará o nível de inadimplência no longo prazo.Inadimplência deve cair a partir de abril e beneficiar mercado de créditoSegundo análise da consultoria Tendências, tomando por base os dados registrados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), janeiro registrou 9,5% de inadimplência em janeiro deste ano, enquanto em janeiro de 2000 a inadimplência registrada foi de 6%. "Mesmo levando em consideração que o aumento da inadimplência já era esperado por causa das compras de final de ano, o nível registrado este ano foi muito superior ao do ano passado", diz Caroline Silveira, analista da Tendências.A analista afirma que a inadimplência deve cair a partir de abril e manter essa tendência até dezembro deste ano, tendo em vista o bom cenário econômico do país. Segundo ela, o aumento do volume de crédito e o alongamento nos prazos de financiamento, que ocorreu em 1999, estimulou os consumidores a comprar a prazo e a fazer empréstimos. A renda das pessoas, no entanto, cresceu menos do que o esperado, o que acabou contribuindo para o aumento na inadimplência. Já para este ano as perspectivas estão otimistas, pois o número de postos de trabalho está aumentando e o nível de desemprego caindo.Além disso, Gomes, da Acrefi afirma que, se considerada a média de doze meses, o índice de inadimplência ainda apresenta queda. Bancos também buscam expandir mercado de créditoApesar de não prever uma redução imediata dos juros no empréstimo pessoal e no cheque especial, as instituições financeiras também prevêem queda dos juros ao longo de 2001, acompanhando a taxa Selic. Neste caso, a briga por clientes também é fator determinante para a redução dos juros. O diretor de produtos e marketing do banco BBV, Luis Carlos Cavalcanti, acredita que não há espaço para uma nova redução dos juros para os clientes neste momento, mas garante que se houver uma nova redução da Selic os juros do banco, que já são os menores do mercado, cairão também. "Temos uma carteira de crédito com níveis de inadimplência menores do que a média das demais instiuições e isso nos dá espaço para reduzir os juros para o consumidor", diz Luis Carlos Cavalcanti, diretor de produtos e marketing do banco BBV.Para André Góes, analista de reflexos no mercado do Banco Santander, a redução das taxas de juros dos bancos depende também da redução do compulsório, porcentual recolhido pelo Banco Central sobre o volume de depósitos à vista das instituições financeiras, que hoje é de 45,0% e que deve cair este ano, segundo Góes. "Com a redução do compulsório, as instituições ficam com mais capital disponível, e como não há muita opção de alocação desse dinheiro, ele deve ser destinado à oferta de crédito", diz.

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