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Perspectivas econômicas

São relativamente positivas as perspectivas econômicas para este e o próximo ano para os países emergentes. O Brasil parece ter sido o último a sentir os efeitos da crise e um dos primeiros a dar sinais de retomada do crescimento. Aguarda-se, para este segundo trimestre, um crescimento em relação ao anterior, rompendo o critério de recessão técnica por dois trimestres consecutivos.É possível que se registre uma estabilização econômica para este ano ou até um leve crescimento. E, para 2010, algumas análises estimam uma taxa de crescimento entre 4% e 5%, o que pode resultar na elevação da massa salarial e no fortalecimento do mercado interno.Quanto à inflação, os últimos dados têm surpreendido positivamente o mercado, sobretudo pela manutenção do consumo em níveis razoáveis. O principal vetor para jogar a inflação para baixo é o desequilíbrio entre oferta e procura em nível internacional. A forte queda do comércio internacional e a retração do consumo em escala global criam ameaças de deflação em vários países, mesmo com a prática, pelos bancos centrais, de taxas de juros reais próximas a zero. Isso repercute aqui. Os índices gerais de preços (IGPs) já estão em deflação neste ano e nos últimos 12 meses, fato inédito!Isso deve constituir um desafio ao conservadorismo do Comitê de Política Monetária (Copom), que talvez seja compelido a reduzir ainda mais a taxa Selic neste ano, contrariando sua última ata, que previa o final da distensão monetária por um bom período.O reflexo de uma taxa Selic menor para as contas públicas é importante, especialmente em fases de políticas contracíclicas, em que se tem a combinação de queda de arrecadação e elevação de despesas, com redução de superávit primário. Essa redução pode ser compensada, parcial ou totalmente, pela menor despesa com juros. Nessa hipótese, o resultado fiscal e a relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) poderão se manter em bom nível na série histórica e na comparação internacional.A perspectiva da retomada do crescimento econômico em 2010 poderá gerar um crescimento substancial da arrecadação, que, aliado à redução das despesas com juros, por causa da Selic mais baixa, poderá garantir ainda melhores resultados fiscais e surpreender algumas análises que focam unicamente os aumentos de despesas como causa de problemas fiscais.Nas contas externas, o superávit comercial - diferença entre exportações e importações -, previsto pelo mercado, no início do ano, em US$ 13 bilhões, elevou-se para US$ 23 bilhões. No entanto, se for mantida a tendência verificada até agora, poderá atingir US$ 30 bilhões. Esse saldo, mais a remessa de recursos de brasileiros que estão no exterior, prevista em US$ 3 bilhões, perfazem US$ 33 bilhões, que contribuem para compensar o déficit da conta de serviços e rendas - remessas de lucros, dividendos, royalties, fretes, seguros e viagens internacionais -, previsto em US$ 43 bilhões, resultando num déficit em transações correntes de US$ 10 bilhões. Esse déficit seria um terço do déficit registrado em 2008 e corresponde a 0,7% do PIB, que é um nível baixo nas comparações interna e externa.As reservas internacionais de US$ 213 bilhões estão superdimensionadas. Se US$ 205 bilhões foram suficientes para enfrentar a maior crise desde os anos 30, não existem justificativas para elevá-las. Defender intensificação na compra de dólares pelo Banco Central, para evitar maior apreciação do real, é dar murro em ponta de faca. Reservas mais elevadas significam posição sólida para os fundamentos externos, o que atrai dólares, apreciando ainda mais o real. A política de aumento de reservas amplia a dívida interna do governo federal e, consequentemente, as despesas com juros. O nível de reservas que me parece mais adequado é o equivalente a um ano de importações, que é a média verificada nos últimos cinco anos. Isso equivaleria a US$ 140 bilhões. A vantagem, além da expressiva economia fiscal, estaria na redução da perda de valor das reservas caso confirmada a tendência de continuar a desvalorização do dólar em face das demais moedas e preço das commodities. É possível que até o final do ano a moeda norte-americana possa romper o R$ 1,70, contrariando as previsões do mercado, de R$ 1,90.Para garantir um cenário positivo para a economia, o governo federal deverá dar continuidade às políticas de estímulos ao consumo por meio de aumentos reais do salário mínimo e do Bolsa-Família - esses já garantidos - e continuar a expansão do crédito a juros mais baixos por meio do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ao contrário de algumas análises, essa política irá reduzir a inadimplência dos seus clientes e melhorar os resultados dessas instituições.Caso se mantenham as linhas gerais dessa política de estímulo na base da pirâmide social, que é a principal marca deste governo, o País poderá prosseguir no rumo de um forte crescimento econômico com redistribuição de renda, que é condição essencial para garantir um crescimento sustentado em bases socialmente mais avançadas. *Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é consultor

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