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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Perspectivas incertas para o nível de emprego

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrou forte deterioração entre dezembro de 2013 e setembro de 2014, de 86,9 pontos para 71,6 pontos, e alguma recuperação nos últimos três meses, chegando a 76 pontos no mês passado. Os números não inspiram otimismo - a economista Sarah Lima, da FGV/Ibre, notou que ainda não é possível distinguir "se estamos observando uma reversão de tendência ou uma calibragem frente ao pessimismo exacerbado das expectativas nos meses anteriores". Mas os dados se contrapõem ao anúncio de novas demissões no setor automobilístico, que cortou mais de 12 mil postos no ano passado.

O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2015 | 02h03

Os dados do emprego são observados com especial atenção neste ano, em que a maioria dos analistas prevê empecilhos às contratações, em razão do enfraquecimento do ritmo de atividade econômica e de problemas localizados. Nesse contexto, o IAEmp dá um sinal menos desfavorável - e que não deve ser ignorado depois de uma longa trajetória negativa -, pois reflete várias outras sondagens feitas nas áreas industrial, de serviços e com consumidores.

A evolução histórica do índice sugere que ele seja levado em conta: em dezembro de 2008, por exemplo, antes da grande crise, o IAEmp chegou a 64,8 pontos, subindo a 97 pontos em dezembro de 2009, quando se esboçava a reação da política econômica ao desajuste global.

Outro índice distribuído há pouco pela FGV foi o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), que reflete a percepção das famílias sobre o mercado de trabalho. Este acusou um ligeiro recuo de 1,1% em dezembro, chegando aos 73,6 pontos. Comparativamente a dezembro de 2013 (66,1 pontos), houve um avanço. Mas, quando se olha para os nove anos em que o ICD tem sido calculado, este supera os 100 pontos entre fins de 2005 e o início de 2007. Mas caiu muito depois disso e só alcançou patamar próximo dos 90 pontos no primeiro semestre de 2009.

O nível de emprego reflete a conjuntura. Empresas contratam quando necessitam de mão de obra para produzir e vender, quando investem ou quando estão convencidas de que a pior política é perder pessoal qualificado e que dificilmente poderá ser substituído quando o ritmo econômico voltar a subir. Só as empresas mais frágeis evitam demitir, para não pagar indenizações.

Em momento de previsões econômicas negativas, mesmo um leve sopro de esperança deve ser notado.

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