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Perspectivas para a economia mundial

O cenário mais provável para o mundo em 2022 é de normalização das cadeias de produção

Paulo Leme*, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2021 | 04h00

Dado os desafios gerados pela pandemia, a economia mundial encerrará 2021 relativamente bem. Hoje, temos um arsenal médico que reduziu a letalidade da covid-19 e permitiu a reabertura das economias. Depois de ter contraído 3,2% em 2020, em 2021 a economia mundial crescerá 6%. 

Em 2021, a demanda agregada expandiu, graças aos estímulos macroeconômicos e à queda do desemprego. No entanto, a oferta agregada tornou-se inelástica, devido às disrupções sofridas pelas cadeias de produção, à escassez de matérias-primas e à falta de mão de obra. O excesso de demanda aumentou a inflação ao redor do mundo e o crescimento econômico mundial enfraqueceu no segundo semestre. 

Iniciaremos 2022 com três problemas: (a) os gargalos nas cadeias de produção; (b) a política monetária expansionista gerou inflação nos preços dos ativos financeiros e de bens e serviços; e (c) o carrego estatístico do PIB para 2022 será menor. Estes problemas introduziram um viés de alta para a inflação e de baixa para o crescimento do PIB mundial. 

Os outros dois fatores relevantes para prever a performance da economia mundial em 2022 serão a disputa entre a nova variante Ômicron e as taxas de vacinação; e quão restritivo e eficaz será o aperto da política monetária ao redor do mundo para reduzir a inflação. O Brasil largou na frente, embarcando em um ciclo arrojado de aumento de juros, enquanto vários países de fala inglesa já sinalizaram ou iniciaram (EUA) o aperto da política monetária. 

O cenário mais provável para 2022 é que a oferta agregada se torne mais elástica, na medida em que as cadeias de produção se normalizem. A demanda agregada se fortalecerá com a queda do desemprego e aumento de salários. As famílias aumentarão o consumo, e as empresas irão repor estoques. O resultado será uma demanda agregada mais forte, que em 2022 será atendida pela expansão da oferta agregada. Esta conjuntura mais equilibrada permitirá que a taxa de crescimento do PIB aumente e a inflação caia. 

Em 2022, a economia mundial deverá crescer 4,5% (acima do crescimento potencial). A inflação mundial deverá cair durante o segundo semestre de 2022 para 4,0%, mas o seu viés de risco é para cima. Para o Brasil, o Copom deve seguir aumentado a taxa Selic. Junto com o aumento do risco país (eleições), isto levará à estagnação do PIB, mas reduzirá a inflação para 5%. 

*PROFESSOR DE FINANÇAS NA UNIVERSIDADE DE MIAMI E PRESIDENTE EXECUTIVO DO COMITÊ GLOBAL DE ALOCAÇÃO DA XP PRIVATE

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