Perspectivas para aplicações em junho

As oscilações no Brasil devem continuar dominando os negócios em junho. Essa é a avaliação de Pedro Thomazoni, diretor do Lloyds TSB. De acordo com o executivo, o mercado acionário norte-americano tende a seguir instável, por conta das preocupações em relação ao ritmo de desaceleração da economia norte-americana. O dólar, nesse cenário, deve ficar oscilando entre R$ 1,80 e R$ 1,85. O câmbio continuará sensível ao sobe-e-desce do mercado internacional. Thomazoni lembra ainda que haverá vencimentos expressivos de títulos emitidos por empresas brasileiras no exterior, que devem atingir US$ 2 bilhões este mês. Isso poderá pressionar o câmbio, embora também devam ocorrer entradas expressivas. A operação de compra de ações ordinárias - ON, com direito a voto - da Telesp Celular pela Portugal Telecom, por exemplo, deve gerar um fluxo positivo de US$ 1 bilhão para o País. As suas perspectivas para a bolsa no médio e longo prazo são otimistas. O diretor do Lloyds TSB aposta que, em setembro, ficará mais claro se as sucessivas altas de juros promovidas pelo Federal Reserve - Fed, o banco central norte- americano - estão sendo suficientes para desaquecer a economia. Com isso, se os indicadores econômicos apontarem a desaceleração do nível de atividade e a acomodação de pressões inflacionárias, o Fed poderia parar de elevar as taxas. Thomazoni estima que as taxas devem ficar em torno de 7% em setembro - hoje, os juros estão em 6,50%. Se for confirmado esse quadro de desaceleração suave da economia norte-americana, a instabilidade nos mercados acionários tende a diminuir, o que abriria espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) voltar a reduzir os juros domésticos, atualmente em 18,50% ao ano. Analistas indicam: no longo prazo aplique em Bolsa e, no curto prazo, renda fixa. Thomazoni diz que, se o cenário externo ficar realmente mais calmo - o que inclui incertezas menores em relação à Argentina -, o Ibovespa poderá atingir 20 mil pontos no fim do ano. Isso embute uma perspectiva de valorização de 33,7% em relação ao fechamento de ontem, quando o índice encerrou os negócios a 14.956 pontos. Os fundamentos internos positivos - inflação acomodada, retomada do crescimento e contas públicas em ordem - dariam sustentação a essa alta da bolsa. O diretor de Fundos do BNL, Cláudio Lellis, também entende que, se houver uma trégua no cenário internacional - que parece estar começando a ocorrer, na sua opinião -, a bolsa pode ter um alento importante."O cenário interno é positivo e favorece o investimento em ações", diz ele. Por conta disso, ele entende que vale a pena entrar aos poucos na bolsa, que oferece boas perspectivas de retorno para prazos mais dilatados. Para o mercado de juros, Thomazoni não vê mudanças importantes no curto prazo. Os juros básicos devem seguir em 18,50%, enquanto o cenário externo estiver nebuloso. Por isso, as aplicações de renda fixa são boa opção para o curto prazo, oferecendo um juro real - acima da inflação - bastante elevado.

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