Perspectivas ruins na Europa, EUA e Japão

Para o economista Barry Eichengreen, a Europa tem consolidação fiscal sem crescimento, o contrário dos EUA

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2011 | 00h00

RIO

Para o economista Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, "a Europa tem consolidação fiscal sem crescimento, enquanto os Estados Unidos têm crescimento sem consolidação fiscal, o que quer dizer que as perspectivas para ambos são problemáticas".

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública bruta dos países da zona do euro saltou de 66% do PIB em 2007, antes da crise global, para 87% em 2011.

A Alemanha, porém, o principal motor da Europa, já entrou há um bom tempo em clima de austeridade fiscal, e deve reduzir o déficit público de 3,3% do PIB em 2010 para 2,4% em 2011, segundo projeção do FMI. Na região do euro como um todo, o déficit projetado para este ano pelo FMI é de 4,4% do PIB, depois de ter ficado acima de 6% em 2009 e 2010.

Mas há problemas muito sérios na Europa, como a situação periclitante da dívida pública em pequenos países como Portugal, Grécia e Irlanda, que - segundo a previsão de muitos analistas - podem acabar caminhando para a reestruturação, o nome elegante para um calote parcial que se tenta fazer ordenadamente. Como muitos bancos dos países centrais da zona do euro são credores da dívida pública da periferia problemática, novas rodadas de turbulências e pioras no cenário fiscal do continente não estão descartadas.

O Reino Unido, por sua vez, que está fora do euro, teve uma das mais dramáticas deteriorações das finanças públicas na crise global. A dívida pública bruta quase dobrou como proporção do PIB, saindo de 44% em 2007 para 83% em 2011. Diferentemente dos Estados Unidos, porém, o Reino Unido já está partindo firme para um drástico ajuste fiscal. O déficit público, que ficou acima de 10% do PIB em 2009 e 2010, está projetado pelo FMI para cair para 5% até 2013, e para 1,3% até 2016.

Caso à parte. O Japão, finalmente, é um caso à parte. A dívida pública bruta continua a crescer, e de níveis já colossais: de 188% do PIB em 2007 para uma projeção de 229% em 2011. Segundo o FMI, bate em 250% do PIB em 2016. O déficit público, que está acima de 9,5% do PIB desde 2009, chega a 2016 ainda no nível muito alto de 7,4%.

Mesmo já tendo saído do Olimpo do AAA há muitos anos, e tendo sofrido em 2011 novos rebaixamentos de rating pelas principais agências, Standard & Poor"s e Moody"s, o Japão também não deu até hoje o menor sinal de fuga de investidores (que, no caso, são quase todos nacionais) do financiamento da sua dívida pública.

Segundo Eichengreen, boa parte dos títulos da dívida japonesa está nas mãos do próprio governo do país, por meio de fundos de pensão e contas especiais. Além disso, o Japão tem uma alta taxa de poupança, e os japoneses tradicionalmente investem o que poupam no próprio país.

Mas ele faz um alerta em relação à relativa tranquilidade de financiamento do Japão ao longo de todos esses anos: "Só porque isso foi verdade no passado não significa que será verdade no futuro - o caso japonês é o que mais me preocupa."

Rombo

87%

do PIB é quanto a dívida bruta dos países da zona do euro deve atingir em 2011, segundo o FMI

4,4%

do PIB é o déficit projetado pelo FMI para a zona do euro este ano

229%

do PIB é a dívida pública bruta do Japão este ano, pelas projeções do FMI. Em 2007, era 188%

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