Perto de fusão, Sadia e Perdigão têm prejuízo de R$ 465 milhões

Empresas divulgaram balanço ontem, enquanto discutiam detalhes do contrato para a fusão

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

Enquanto advogados, acionistas e executivos da Sadia e da Perdigão se reuniam durante todo o dia para redigir os documentos finais da fusão, as empresas divulgaram ontem resultados operacionais fracos, referentes ao primeiro trimestre deste ano. Ambas tiveram prejuízo no período. Os executivos da duas empresas preferiram não comentar o desempenho do trimestre, cancelando a teleconferência agendada com jornalistas e aumentando ainda mais os rumores de uma união. Puxada pela queda nas vendas no exterior, a Sadia foi a que mais sofreu: teve prejuízo de R$ 239,2 milhões em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo informou em comunicado ao mercado, as despesas com pagamento de juros de financiamento da dívida e a variação cambial foram responsáveis pelo resultado. Diferentemente da Perdigão, porém, a empresa teve vendas menores no mercado externo, o que colaborou para o desempenho negativo. A Perdigão conseguiu driblar a retração do mercado internacional e teve aumento de 4% nas vendas externas, que somaram R$ 1,1 bilhão. As vendas internas, por sua vez, cresceram 8,3%. Ainda assim, registrou prejuízo de R$ 226 milhões. Segundo a companhia, isso ocorreu por causa da absorção do prejuízo fiscal da incorporação da subsidiária Agroindustrial. Se a operação fosse desconsiderada, o prejuízo seria de R$ 94 milhões. A Sadia, que vendeu 3,3% menos do que no primeiro trimestre de 2008, informou que a queda ocorreu em decorrência do ajuste de estoques e da escassez de crédito no mercado internacional. As exportações caíram 10,5% em volume entre janeiro e março deste ano. Além disso, a queda de preços dos produtos no mercado externo impactou as duas companhias. Porém, segundo a Sadia, as perspectivas são boas. "Já há sinais de recuperação, em particular na Europa, e a previsão é de que ainda neste semestre as exportações voltem a crescer", informou.As vendas no Brasil salvaram os resultados das companhias. No caso da Sadia, o segmento de industrializados continuou crescendo em ritmo pré-crise, registrando aumento de vendas de 19,4% no trimestre, ante o mesmo período do ano anterior. As vendas de carnes também mantiveram fôlego. Em suínos, a expansão em volume foi de 35,8% no período, ante 2008. Segundo a Sadia, a crise econômica "afetou pouco" o desempenho da indústria no País. No total, as vendas no mercado interno cresceram 10,3%.ESPERADOOs analistas de mercado já previam que os balanços do trimestre viriam fracos. Segundo Denise Messer, analista da Brascan Corretora, a redução das exportações brasileiras, especialmente de frango, com a crise mundial, são as grandes responsáveis pelos números. "Tanto Sadia quanto Perdigão tiveram de fazer ajustes de produção por causa da diminuição nas vendas externas, o que trouxe custos e despesas adicionais."No relatório que acompanha o balanço, a Sadia confirmou as medidas. Segundo a companhia, foram realizadas paradas técnicas no primeiro trimestre de 2009 para ajustar os estoques de frango no mercado internacional, o que contribuiu para a queda de 75% no Ebitda da companhia no período, ante 2008. Apesar disso, o diretor-presidente da Sadia, Gilberto Tomazoni, informou no relatório que mantém a previsão de margem Ebitda entre 8% e 10% para este ano.As empresas também investiram menos neste primeiro trimestre. Na Sadia, os investimentos, de R$ 170,3 milhões, foram 60% menores que no mesmo período de 2008. A Perdigão investiu R$ 120 milhões em melhorias na linha de produção e em obras nas unidades de lácteos.

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