Peso perde 70% de seu valor em cinco meses

O peso argentino tomou o mesmo rumo de volubilidade dos políticos argentinos, que agora querem antecipar eleições, e do nervosismo da população, que corre todo dia atrás de dólares com medo da hiperinflação. Em apenas cinco dias, a taxa de câmbio no país passou de 3,25/3,30 pesos por dólar para 3,40/3,55 pesos e, com isso, a moeda argentina já perdeu pouco mais de 70% de seu valor desde o fim da conversibilidade, em janeiro deste ano.Nem a queima diária de reservas internacionais e nem os constantes leilões de papéis do Banco Central conseguem segurar a cotação do dólar. Entre os dias 2 e 21 deste mês, último dado oficial do BC, as reservas líquidas da Argentina despencaram praticamente US$ 1,5 bilhão, o equivalente a perdas médias diárias de US$ 107 milhões. Com isso, as reservas do BC passaram de US$ 12,134 bilhões, no início deste mês, para US$ 10,636 bilhões na terça-feira. No ano, a sangria já soma US$ 9 bilhões, o mesmo valor de socorro financeiro que o governo do presidente Eduardo Duhalde vem negociando com o Fundo Monetário Internacional (FMI).O pior é que ninguém sabe onde vai aterrizar o peso. A queima de reservas não está conseguindo segurar a deterioração da moeda argentina e, dada a situação política, econômica e financeira do país, não existe fundamento algum que permita determinar um valor razoável para a divisa argentina. Do ponto de vista exclusivamente econômico, depende da política fiscal, que, até agora, o governo não conseguiu definir por causa do impasse com os governadores das províncias; da política monetária, que o BC também não consegue administrar por causa das diferenças com a equipe econômica do ministro Roberto Lavagna; e do ritmo da inflação, que começa dar sinais de ?híper?.Do ponto de vista financeiro, depende também do grau de confiança dos próprios argentinos e dos investidores estrangeiros, que, por sua vez, depende do primeiro. Os controles de câmbio e as restrições bancárias introduzidas para limitar a oferta de pesos no mercado e, com isso, a corrida ao dólar, estão funcionando apenas em parte. Por isso, a totalidade dos analistas afirma que a Argentina precisa restabelecer urgentemente a confiança se quiser evitar uma profunda depressão econômica e um desastre social e político. Mas, acrescentam os analistas, é pouco provável que o governo consiga isso com a sua moeda, pelo menos no curto prazo. Os argentinos, hoje, confiam apenas no dólar.Leia o especial

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