Pesos pesados dos negócios marcaram trajetória da Tarpon

Uma rede valiosa de relacionamentos ajudou a definir as estratégias e a impulsionar a expansão da gestora de recursos

, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

Se por um lado a trajetória da Tarpon foi marcada pela precocidade dos seus executivos, por outro, a gestora contou com o apoio de alguns dos nomes mais importantes do capitalismo brasileiro. Entre 2002 e 2005, as estratégias de investimento da gestora eram definidas por um conselho consultivo do qual participavam Luis Stuhlberger, sócio da Credit Suisse Hedging-Griffo e um dos mais importantes gestores de recursos do País, e Ricardo Semler, controlador da Semco e conhecido pelas ideias pouco convencionais de gestão adotadas em sua empresa.

A relação com o empresário começou no início da década. José Carlos Magalhães, fundador da Tarpon, trabalhava para a Semco Ventures quando teve a ideia de criar a gestora. Semler perdeu o funcionário, mas tornou-se entusiasta do novo negócio. Já Stuhlberger conheceu o grupo de empreendedores quando a Hedging-Griffo passou a distribuir os fundos da gestora no mercado financeiro.

Por trás dessa rede de relacionamentos está outra figura influente. Trata-se de Luiz Alves Paes de Barros, tio de Magalhães e um dos mais experientes investidores do mercado de capitais brasileiro. Sob sua influência, Magalhães fez contatos e criou um clube de investimentos formado por amigos e parentes, que daria origem à Tarpon. Paes de Barros também fez parte do conselho que ajudou a definir os rumos da gestora de recursos em seus primeiros anos.

O grupo de notáveis emprestou suas opiniões e prestígio à Tarpon, mas foram as apostas de investidores ilustres que solidificaram a credibilidade do grupo. Elie Horn, controlador da Cyrela, por exemplo, já colocou parte de sua fortuna nas mãos de Magalhães e seus sócios. A gestora e o bilionário ainda mantêm relações próximas.

Hoje, as decisões de investimentos cabem aos próprios sócios da Tarpon. O conselho de administração se concentra, basicamente, em questões relacionadas à gestão da empresa. Mesmo assim, nomes importantes continuam a orientar o grupo. Os executivos da gestora fazem questão de manter encontros informais com Claudio Sonder, um dos maiores especialistas no setor petróleo. Sonder é, hoje, conselheiro da OGX, empresa de energia de Eike Batista, e foi presidente da antiga indústria química Hoechst.

Cultura. Além da influência de pesos pesados dos negócios, a trajetória da Tarpon também é marcada pela tentativa de construção de uma cultura diferente da tradicionalmente observada em empresas do mercado financeiro. A preocupação com o clima no ambiente de trabalho é uma constante.

Toda sexta-feira há uma reunião, com duração de duas horas, do chamado Comitê de Pessoas. Nesses encontros, abertos a todos os funcionários, são discutidos não só mecanismos de remuneração, como também "formas, além do dinheiro, de manter as pessoas motivadas".

No fim do ano passado, a empresa reuniu todos os seus funcionários durante um final de semana em Guarujá, litoral de São Paulo, para discutir, entre outras coisas, como melhorar o relacionamento entre os funcionários. "Os sócios da Tarpon não se renderam à presunção comum a gente muito jovem que ganha muito dinheiro", diz Horácio Lafer Piva, conselheiro da Tarpon e presidente do conselho da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). / C.L. e M.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.