Pesquisa: brasileiros buscam oportunidade de negócios

Empreendedores que abrem um negócio motivados por oportunidade de mercado já são maioria no Brasil

Marianna Aragão, de O Estado de S. Paulo,

19 de março de 2008 | 19h44

Os empreendedores que abrem um negócio motivados por oportunidade de mercado - e não por necessidade de complemento na renda ou de emprego - já são maioria no Brasil. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor divulgada hoje, eles representam hoje 57% do total de 15 milhões de empreendedores iniciais do País. É a primeira vez que isso ocorre desde que o estudo começou a ser realizado em 42 países, em 1999.  Além de melhora no perfil dos novos empresários, o estudo confirmou o Brasil no ranking dos dez países mais empreendedores do mundo. Este ano, a taxa de 12,72% da população adulta envolvida em alguma atividade empreendedora colocou o país na nona posição. O primeiro lugar ficou com a Tailândia, que tem 27 empreendedores para cada 100 pessoas com idade entre 18 e 64 anos.  "É um resultado positivo porque o empreendedor por oportunidade cria empresas mais inovadoras e competitivas, e por isso, com maiores chances de dar certo", avaliou o presidente do Sebrae Nacional, Paulo Okamotto. "É um empreendedorismo de melhor qualidade." Para Paulo Veras, diretor-geral do Instituto Endeavor, de apoio ao empreendedorismo, o distanciamento entre os porcentuais de empreendimentos por necessidade e oportunidades vai continuar nos próximos anos. O bom momento econômico que o País vive e a disseminação do tema empreendedorismo entre a população justificam a tendência, afirma. A paulistana Gica Mesiara, de 34 anos, considera-se uma empreendedora por oportunidade. Há seis anos, ela deixou uma carreira consolidada no mercado financeiro, como administradora de grandes fortunas, para se dedicar ao que era, até então, apenas hobby: o paisagismo. Antes, porém, planejou todos os passos do que viria a ser sua primeira empresa. "Por três anos, pesquisei o mercado, analisei bem os riscos e esperei o momento certo para abrir o negócio", conta Gica. A empresária inaugurou uma empresa especializada em construir jardins que revestem muros e paredes, uma técnica chamade de jardins verticais. Hoje, emprega 13 pessoas diretamente e outros 80 indireta e faz projetos para órgãos públicos e residências de alto padrão. "Criei um nicho que não existia, e isso só foi possível com planejamento", diz a empresária, que obteve patente de seu produto e se prepara para vendê-lo também no exterior. A história de Gica também confirma outro dado revelado pelo GEM: o crescimento do número de mulheres empreendedoras. Pela primeira vez elas superaram o número de homens à frente de um negócio próprio. Segundo o estudo, em 2007 elas representavam 52% do total de empreendedores adultos brasileiros. Há sete anos, eram apenas 29%. O porcentual está acima da média dos países pesquisados, que é de 39%. No Brasil, a maioria - cerca de 60% - dos empreendimentos conduzidos por mulheres, porém, ainda são iniciados por necessidade.  Emprego A pesquisa mostrou que apenas 3% dos empreendedores iniciais têm expectativa de gerar mais de 20 empregos. A média em outros países é de 8%. A intenção de gerar algum emprego é apontado por 54% dos novos empresários, ante 70% da média mundial.  Segundo Paulo Veras, do Instituto Endeavor, mais que eventual preocupação com a burocracia e encargos do sistema trabalhista brasileiro, o indicador mostra uma visão típica do empreendedor local. "Ele ainda não pensa na perspectiva de sua empresa se tornar um grande negócio. É mais uma questão de atitude."

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