Pesquisa do BC apura queda na oferta de crédito

Levantamento do Banco Central com principais instituições do País, mostra que retração deve ocorrer em todos os segmentos, exceto no imobiliário

MARCELO PORTELA, CORRESPONDENTE, BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h07

Projeção feita pelo Banco Central junto a bancos mostra perspectiva de queda na oferta de crédito em praticamente todos os segmentos no último trimestre do ano, em relação aos três meses anteriores.

O levantamento divulgado ontem ouviu 46 instituições financeiras responsáveis pela grande maioria da carteira de crédito no Brasil. O resultado da pesquisa, que mostra uma média da avaliação dos bancos, foi dividido em índices que variam entre -2 (retração forte), -1, (retração moderada), 0 (estabilidade), 1 (crescimento moderado) e 2 (crescimento forte).

O segmento com maior previsão de retração é o de grandes empresas. O BC consultou 22 instituições, responsáveis por 94,1% da carteira de crédito deste mercado, e constatou expectativa de retração de 0,77 na oferta de financiamentos em relação ao terceiro trimestre. Segundo o diretor de política econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, a justificativa mais usada para a projeção foi a "condição geral da economia doméstica".

No mesmo segmento, o mercado prevê também redução de 0,27 na aprovação de financiamentos e de 0,14 na demanda por crédito, motivada, segundo as instituições, por uma "menor necessidade de capital de giro".

Micros. Já entre micro, pequenas e médias empresas, a necessidade de capital de giro, na projeção de 40 instituições financeiras consultadas pelo BC - responsáveis por 90,5% da carteira de crédito no País - deve impulsionar a demanda por financiamentos em 0,75 no quarto trimestre, com aumento de 0,05 na aprovação. No entanto, o mercado prevê também uma retração de 0,70 na oferta de crédito. De acordo com Araújo, o motivo mais alegado para a redução nesta fatia é a "preocupação com o nível de inadimplência".

Outro segmento pesquisado é o de crédito a pessoas físicas voltado para o consumo, no qual o mercado financeiro prevê crescimento da demanda (0,35) e na aprovação (0,12) de crédito, mas também com expectativa de redução na oferta, de 0,35. O levantamento, neste caso, foi feito com 17 instituições financeiras, detentoras de 96,6% da carteira de crédito para essa fatia.

"O comprometimento da renda é o motivo alegado para a diminuição da oferta", afirmou o diretor do BC. "O nível de emprego e as condições gerais são as justificativas para o aumento da demanda", disse. "O 13.º (salário) impacta nas projeções. A renda das pessoas dobra e elas precisam de menos crédito", avaliou.

O único segmento em que o mercado prevê apenas números positivos é o de financiamento habitacional. As oito instituições consultadas pelo BC, responsáveis por 99,7% da carteira, projetam crescimento de 0,13 na demanda, impulsionado, segundo Araújo, pela "concorrência" e de 0,50 na aprovação e na demanda por crédito, provocada, na visão dos bancos, pela "confiança no mercado" e pela "evolução nos preços" dos imóveis.

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