Pesquisa do Ipea propicia pequeno alento quanto ao investimento

Inflação e juros cadentes ajudam a recuperar a confiança

O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2017 | 03h00

Entre novembro e dezembro, depois de cinco meses consecutivos de queda, a taxa de investimento na economia brasileira aumentou 3,9%, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A alta não compensou o recuo dos meses anteriores e não permite “ver o início de uma recuperação mais efetiva”, ponderou o especialista Leonardo Carvalho, do Grupo de Conjuntura do Ipea.

Ainda assim, é sinal de que algumas empresas estão mais confiantes na recuperação do mercado e começam a se preparar para atender a um possível crescimento da demanda.

A taxa de investimento – conhecida como Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – caiu cerca de 30% entre 2013 e 2016, de 21% para 16% do Produto Interno Bruto (PIB), em números correntes. Os últimos dados do IBGE, relativos ao terceiro trimestre de 2016, mostram investimentos de apenas 16,5% do PIB.

Para o Ipea, o investimento caiu 10,8% entre 2015 e 2016. O fluxo de investimento ficou tão pequeno que não é suficiente sequer para cobrir a depreciação do estoque de capital. Ou seja, qualquer retomada mais forte correria o risco de abortar prematuramente.

Em dezembro, segundo o Ipea, o investimento na construção civil caiu 0,6% em relação a novembro. Mas o item máquinas e equipamentos, que vinha liderando a queda do investimento no ano passado, teve aumento de 8,8% no mês. A recuperação de dezembro, segundo Carvalho, se deveu em parte à necessidade de as empresas do setor agropecuário se prepararem para o aumento de produção previsto para 2017.

Balanço da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o investimento industrial caiu nos últimos anos: 87% das empresas investiram em 2013, porcentual que caiu para 81% em 2014, 74% em 2015 e apenas 67% em 2016. Mas, mais do que a falta de demanda e o alto custo do crédito, a principal explicação para a frustração dos planos de investimento foi a incerteza econômica, citada por 80% das empresas.

Mas há razões para alimentar alguma esperança na volta do investimento, pois inflação e juros cadentes ajudam a recuperar a confiança, da qual depende a disposição dos empresários de investir.

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