Pesquisa do Morgan Stanley indica otimismo com Brasil

A grande maioria dos investidores estrangeiros acredita agora na vitória de José Serra (candidato do PSDB) nas eleições presidenciais e, portanto, passou a ser "significativamente otimista" quanto à alta nos títulos da dívida brasileira e na cotação do real. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita pelo banco Morgan Stanley Dean Witter, que no final de abril rebaixou a recomendação do Brasil citando o "fator Lula", com investidores em mercados emergentes. Cerca de 30% dos investidores consultados escolheram o Brasil como o mercado favorito para aplicar neste segundo semestre de 2002. Neste quesito, o Brasil superou regiões ou países emergentes que vêm sendo o destino recente dos recursos dos investidores, como a Rússia (escolhido por 23% dos investidores), a Ásia (12%) e todo o resto da América Latina (5%), incluindo o México. Depois de várias rodadas de bancos de investimentos reduzindo a exposição ao Brasil, depois que o risco país disparou e o câmbio depreciou-se fortemente, a pesquisa mostrou que apenas 5% dos investidores estão de fato "underweight" (abaixo da média do parâmetro de mercado). "No Brasil, com o sentimento otimista captado na pesquisa, embora o posicionamento dos investidores ainda seja conservador, pode-se argumentar a favor de um potencial para a alta", afirmou o relatório do Morgan Stanley. "Contudo, dado a natureza binária dos eventos do Brasil e o grande peso do País nos índices de mercados emergentes, a posição ´market-weight´ (na média do mercado) é um teto realista para muitos investidores. Além disso, muitos investidores que estão ´market-weight´ no Brasil ficaram muito assustados com a queda nos preços dos ativos, mas não queriam ou não puderam vender os papéis brasileiros nas suas carteiras", analisa a pesquisa do Morgan Stanley. "Acreditamos que uma alta nos preços dos ativos deflagrará mais vendas, pelo menos inicialmente. Gostaríamos de ver mais reposicionamento antes de ficarmos mais construtivos em relação aos fatores técnicos do mercado". Apesar de o Brasil ter sido escolhido como mercado favorito, a pesquisa do Morgan Stanley ainda mostra uma preferência do investidor pela Europa Emergente (escolhida por 56% como região favorita) e pela Ásia (28%) do que a América Latina (16%) como um todo.A pesquisa do banco Morgan Stanley Dean Witter com investidores em mercados emergentes mostra que 69% dos participantes acreditam na vitória de José Serra nas eleições presidenciais deste ano. Apenas 19% dos investidores pesquisados disseram acreditar que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai ganhar as eleições. Cerca de 12% dos ouvidos disseram não se importar com o vencedor e 6% dos pesquisados responderam "outros", sem haver um detalhamento de nomes de candidatos como eventual vencedor das eleições. Com esse sentimento, os investidores estão bastante otimistas em relação ao mercado financeiro brasileiro. Nada menos que 72% dos investidores esperam que o C-Bond feche no final deste ano com uma cotação igual ou maior que 65 centavos de dólar (nesta manhã, o C-Bond tinha ultrapassado 63 centavos). Em relação ao câmbio, 86% dos investidores estrangeiros estimam que o nível do real irá terminar 2002 entre R$ 2,5 e R$ 3 por dólar. Na realidade, 26% projetam um real a R$ 2,50 por dólar, outros 31% apostam que o câmbio fechará por volta de R$ 2,75 e outros 29% estimam que o câmbio ficará em R$ 3 por dólar. Apesar de se mostrarem otimistas em relação ao Brasil até o final deste ano, os investidores estrangeiros apontam o Brasil como o principal fator de risco para os mercados emergentes, segundo a pesquisa feita pelo banco Morgan Stanley Dean Witter. Cerca de 40% dos entrevistados disseram que o Brasil é o principal fator de risco para a classe de ativos (títulos da dívida de emergentes). O outro fator mais votado (20% das respostas) foi a situação geopolítica e o combate ao terrorismo. O movimento de aversão ao risco e confiança do investidor foi o terceiro fator mais votado (13%). A colapso nas bolsas de países industrializados (7%), a cotação do dólar frente ao euro e ao iene (7%), a Turquia (5%), o crescimento da economia norte-americana (3%), a taxa de juros dos Estados Unidos (3%) e o contágio da América Latina (2%) foram os outros fatores apontados como riscos para os mercados emergentes. Entre os países mais desfavorecidos para as aplicações dos investidores, o Brasil obteve apenas 9% das respostas, atrás da Argentina (12%), Venezuela (12%) e Líbano (13%), mas à frente da Rússia (3%), do México (3%) e da Turquia (6%), entre outros. Cerca de 50% dos investidores disseram que não pretendem mudar a quantia alocada para os mercados emergentes. Outros 29% disseram que pretendem aumentar os recursos aplicados e cerca de 21% disseram que pretendem reduzir a exposição aos mercados emergentes.

Agencia Estado,

28 de junho de 2002 | 14h24

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