Pesquisa Febraban prevê alta de 5,3% do PIB em 2010

A pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) de projeções macroeconômicas e de expectativas do mercado, realizada com 30 bancos, apontou a alta da estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para 2010, de 5,1% no levantamento de dezembro para 5,3% no de fevereiro. De acordo com o estudo, sempre divulgado após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os economistas das instituições financeiras acreditam que o aperto monetário do Banco Central (BC), que deve levar a Selic (a taxa básica de juros da economia) para 11% ao ano em dezembro deste ano, será suficiente para manter o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) muito perto do centro da meta de inflação, de 4,5% para 2010.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

10 de fevereiro de 2010 | 16h44

As projeções apontam que o IPCA, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deverá atingir 4,6% neste ano, pouco acima dos 4,5% estimados em dezembro de 2009.

"Há um cenário de otimismo por parte dos bancos que participaram da pesquisa", disse o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg. Segundo ele, o aperto monetário, que deve ser adotado pelo BC a partir de abril, não se trata de uma desaceleração forte do nível de atividade, mas sim de uma acomodação do ritmo de crescimento do País, que registrará uma expansão pouco acima de 5%.

Câmbio

A pesquisa Febraban deste mês indicou que o câmbio deve fechar 2010 em R$ 1,82 por dólar, taxa pouco superior à estimada na pesquisa de dezembro, que era de R$ 1,76. "Há um cenário tranquilo para esse indicador neste ano, mesmo que a instabilidade econômica no exterior seja o principal risco à nossa economia", comentou Sardenberg.

A ata da última reunião do Copom manifestou certa apreensão com a possibilidade de que o real registre desvalorização ante o dólar, neste ano, em razão de turbulências externas, entre elas um movimento de apreciação da moeda norte-americana em relação ao euro. O BC teme que a desvalorização do câmbio no Brasil possa se tornar um fator adicional para pressionar a inflação em 2010, vindo logo atrás de um aquecimento excessivo da demanda agregada motivada pelo crescimento do País, que para o BC deverá ser de 5,8%. "O Brasil tem condições econômicas boas. Apresenta um grande volume de reservas cambiais (US$ 240 bilhões) e um cenário de crescimento do PIB bem favorável neste ano", disse Sardenberg.

Segundo o economista-chefe, mesmo com expectativa de expansão do déficit de transações correntes, que na pesquisa Febraban deve atingir US$ 49,8 bilhões em 2010, não há nenhum temor pelos especialistas de que o Brasil terá dificuldades para financiar tal saldo negativo. Um dos principais elementos que vão contribuir para a estabilidade das contas externas é a evolução do investimento estrangeiro direto, que deve subir de US$ 25,9 bilhões em 2009 para US$ 37,3 bilhões, de acordo com a previsão dos economistas ouvidos pelo estudo.

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