Pesquisa Focus indica taxa de juro inalterada até o fim do ano

Mercado mantém aposta de Selic a 10,75% nas últimas três reuniões do Copom até o fim do governo Lula

Fernando Nakagawa BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

O mercado financeiro começou a semana com a manutenção da aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) não deve alterar o juro básico da economia, a Selic, na reunião que começa hoje e termina amanhã. Para os analistas, sinais de acomodação da inflação e de desaceleração da economia justificam o fim do ciclo de alta do juro, que começou em abril e teve a última elevação em julho.

De acordo com a pesquisa Focus divulgada ontem, prevalece a previsão de que a taxa Selic seguirá nos atuais 10,75% ao ano até o fim do ano. Dessa forma, analistas preveem que os diretores do BC não mudarão o juro nas últimas três reuniões do governo Lula, em 1.º de setembro, 20 de outubro e 8 de dezembro.

"Embora os condicionantes do crescimento interno sigam sólidos, com expansão da renda e do crédito, o comportamento mais ameno da inflação corrente e o aumento das incertezas globais devem dar sustentação a essa decisão do BC, em linha com o panorama traçado na ata anterior", diz em relatório o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto.

Na sexta-feira, o IBGE divulga o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. Pelas estimativas do Schahin, a economia deve crescer 0,60% na comparação com o primeiro trimestre e 8% ante igual trimestre de 2009. Se confirmado, o ritmo esperado por Campos Neto é inferior ao observado entre janeiro e março, quando o PIB avançou 9% na comparação anual, o que sinaliza desaceleração da atividade.

Na mesma pesquisa, o mercado estima que a economia deve crescer 7,09% em 2010. No próximo ano, porém, o ritmo deve mudar e a expansão do PIB deve diminuir para 4,5%.

Mas, apesar da tranquilidade com o cenário atual, as estimativas para a inflação no próximo ano subiram pela segunda vez seguida e atingiram 4,87%, afastando-se ainda mais do centro da meta de inflação de 4,5%. Com a inflação em alta, o mercado prevê que aumento de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic no próximo ano até 11,5%, que deve ser alcançado no fim de 2011.

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