Pesquisa indica retomada da produção industrial

De acordo com Sondagem da CNI, indicador da atividade aponta ritmo acelerado no segundo semestre

Eduardo Rodrigues BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

A produção industrial brasileira voltou a crescer de forma disseminada em julho, segundo Sondagem Industrial divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em uma escala onde valores acima dos 50 pontos apontam crescimento, o indicador que mede a evolução da atividade chegou a 53,4 pontos, ante 51,8 pontos em junho.

Depois de pisar no freio no segundo trimestre de 2010, a produção industrial deve voltar a crescer em ritmo acelerado no segundo semestre, avalia o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. "O segundo trimestre foi de acomodação até um pouco acima do esperado, mas a produção volta a crescer e as expectativas sobre a demanda estão bastante altas", disse o economista.

"Como o período de maior atividade na indústria vai de julho a novembro, vamos ter um momento de reativação e retorno a um nível forte de expansão." Segundo a CNI, apesar do aumento na produção, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) em julho ainda ficou abaixo do usual no mês. Seguindo a mesma metodologia, o uso do parque instalado ficou em 49,1 pontos, ante 48,4 pontos no mês anterior.

A sondagem também revela que, pela primeira vez no ano, os estoques ficaram acima do planejado pelos empresários, com indicador em 51,3 pontos. "Esse dado mostra que a produção da indústria foi mais do que suficiente para atender à demanda no período", afirmou o documento.

Para Castelo Branco, a queda na demanda no segundo trimestre levou à acumulação de estoques no período, assim como motivou a menor utilização do parque instalado. "Com a retomada da produção em agosto, a UCI deve se aproximar dos 50 pontos daqui para frente", concluiu.

Realizada com 1.472 empresas entre 2 e 18 de agosto, a pesquisa também indica que as expectativas na indústria continuam positivas. O indicador da perspectiva dos empresários para a demanda nos próximos seis meses situou-se em 63,1 pontos, o que influenciou as pretensões de compra de matérias-primas, cuja variante ficou em 60,7 pontos. Mas, ante a lenta recuperação do mercado internacional, as perspectivas em relação às exportações permanecem mais conservadoras, com 51,8 pontos.

Retomada

Para especialistas, o desemprego em queda, a elevação da massa salarial e a continuidade do crescimento da confiança do consumidor são indutores do crescimento no segundo semestre

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