Pesquisa mostra avanço do cartão de crédito popular

Os cartões de crédito já são o meio de pagamento mais usado pela população de baixa renda depois do dinheiro. Isto se deve à estratégia das administradoras de cartão, que estão incentivando o potencial mercado de consumidores com ganho mensal entre R$ 200 e R$ 500. O uso do cartão por estes consumidores garante uma vantagem sobre o cheque.Uma pesquisa da Credicard com base em dados de 2002 revela que 48% das compras realizadas pelos entrevistados (portadores de cartão) são pagas em dinheiro e 32% com cartão de crédito. Em 2000, este porcentual era de 29%. O cheque perdeu espaço, passando de 12% em 2000 para 9% no ano passado.Avanço maiorO avanço resulta no aumento do uso do cartão nesta faixa de consumidores em níveis superiores ao do mercado em geral. Em 2002, o total de cartões "populares" chegou a 9,2 milhões de unidades, 20% mais que em 2001. Com relação ao volume em reais movimentado, a elevação foi ainda maior, de 28%, chegando a R$ 4,32 bilhões. Já o mercado total de cartões cresceu 18,3% em faturamento (R$ 69,3 bilhões) e 15% em número de cartões (40,8 milhões). A participação dos que ganham menos no faturamento do setor é de 6,3%.Apesar da expansão, as empresas do setor ainda têm um amplo espaço a explorar. Isto porque a população de baixa renda soma 25 milhões de pessoas, de acordo com dados do IBGE. São indivíduos com idade acima de 15 anos, empregados e que ganham mais de R$ 300. Portanto, existem cerca de 15 milhões de consumidores ainda a serem conquistados.InformalDe acordo com o presidente da Credicard, Roberto Lima, as empresas estão apostando no apelo do cartão como instrumento de crédito, o único à disposição de um porcentual relevante desta faixa de consumidores. O próximo foco de atenção agora será o trabalhador informal - correspondente a quase 50% da População Economicamente Ativa (PEA) - que hoje fica à margem deste processo em razão da dificuldade de comprovação de renda.Para isto, disse Lima, os emissores estão trabalhando no aprimoramento dos sistemas de avaliação de risco, a fim de contemplar esta fatia de cidadãos usando outros métodos para garantir a concessão do cartão. Nas campanhas que abordam as pessoas na rua, em universidades, no metrô, por exemplo, já são usados outros critérios, como documentos de carro, em lugar de holerites.InadimplênciaMas se o ritmo de crescimento é grande, a inadimplência também registra índices mais altos. Sem revelar números, as empresas afirmam que as ocorrências de atrasos nos pagamentos são mais freqüentes. No entanto, as quantias devidas, justamente pelos limites mais estreitos, são menores, causando um impacto tolerável às administradores e compensado pelo aumento da escala.Embora pague anuidades mais baixas (cerca de R$ 40), tenha limites inferiores (R$ 300 em média) e gaste menos por operação (R$ 39), os consumidores de menor poder aquisitivo usam o cartão praticamente da mesma forma que os demais portadores. Segundo outra pesquisa feita pela Credicard, quando vão comprar roupas e calçados, 50% dos entrevistados de baixa renda preferem usar cartão, mesmo porcentual dos outros portadores. Com relação à compra de alimentos, 33% de ambos grupos usam o cartão.O cenário muda um pouco quando se trata dos pagamentos de viagens, restaurantes, hotéis, em que 37% dos consumidores de baixa renda adotam este instrumento, contra 42%. A diferença ocorre também nos gastos com veículos (combustível, consertos), cujos porcentuais são de 13% e 25% respectivamente, e com compras de livros, CDs, academias de ginástica (17% e 21%).

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