Pesquisa reforça o quadro de estagnação da indústria

Exaurido o modelo de estímulo ao consumo, cujo resultado é uma taxa de crescimento econômico baixíssima neste ano, chega a ser surpreendente que o setor secundário tenha saído de nove meses consecutivos de piora do Índice de Confiança da Indústria (ICI) para uma leve recuperação, de 1,8%, entre setembro e outubro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mas não houve uma melhora consistente da percepção das empresas sobre a produção e as vendas, apenas das perspectivas futuras.

O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2014 | 02h04

O responsável pelo levantamento, o professor Aloísio Campelo Jr., superintendente adjunto para Ciclos Econômicos da FGV/Ibre, ressalvou que "a diminuição do pessimismo no horizonte de seis meses deve ser tomada com alguma cautela, considerando-se a intensidade da piora deste indicador no terceiro trimestre".

O fato é que a indústria de transformação está em recessão desde meados de 2013. O boletim Focus do BC registra a expectativa de queda do produto industrial de 2,2% no ano e de uma recuperação de apenas 1,6% em 2015. Ou seja, se houver recuperação, será insuficiente para compensar o recuo presente.

Entre outubro de 2013 e outubro de 2014, o Índice de Confiança com ajuste sazonal caiu de 98,4 pontos para 82,6 pontos (-16%), e ficou sempre no campo negativo, abaixo da média histórica recente, de 104,1 pontos. No mesmo período, o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 19,7%, para 79,3 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) cedeu "apenas" 12,5%.

O principal problema das 1.152 empresas consultadas pela FGV entre 2 e 24 de outubro é o excesso de estoques, que chegou ao pior patamar desde março de 2009, a fase mais aguda da crise. Apenas 0,1% das empresas consideram que os estoques atuais são insuficientes. Note-se que estoques demasiados implicam custos financeiros não previstos, agravados pelos patamares elevados das taxas de juros dos empréstimos. Para evitar o acúmulo ainda maior de estoques as empresas trabalham em ritmo lento, tendo usado, em outubro, apenas 82% de sua capacidade instalada (ante 83% em setembro).

Na avaliação de Campelo, os números indicam muito mais uma diminuição do pessimismo - que havia chegado ao auge em setembro - do que uma recuperação do otimismo. Mas este é essencial para a retomada da disposição de investir, sem o que a economia brasileira terá dificuldade para sair da estagnação.

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