Pesquisa revela mudança no perfil do consumidor brasileiro

O consumidor brasileiro está desapontado e mudando de opinião. As promessas de ganhos e de modernidade anunciadas pela globalização não foram cumpridas. Pelo contrário, os resultados das profundas transformações ocorridas foram o desemprego, o empobrecimento e o aumento da violência. As pessoas estão insatisfeitas com a qualidade de vida e das relações humanas e passaram a rejeitar o individualismo e a competitividade. Por causa da decepção, começaram a tentar resgatar antigos valores.Estas foram as principais conclusões de uma extensa pesquisa quantitativa e qualitativa realizada pela empresa Agência de Marketing, consultoria que realiza serviços especializados para o setor industrial, comercial e de serviços, com patrocínio de empresas como Vivo, Unilever, Grupo Pão de Açúcar, Paim (agência de publicidade), Lojas Renner, Kaiser e Fiat.O objetivo era identificar o novo perfil do consumidor, a fim de servir de subsídio para novas estratégias das empresas, levando em conta o grau cada vez maior de exigência. O levantamento envolveu 1.300 pessoas entre 20 e 60 anos das classes A, B e C, d as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre.Segundo os pesquisadores, esta mudança recente de comportamento da população determinou a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência do Brasil, que contou com o apoio da classe média, antes preconceituosa contra o candidato. "Há uma sincronia entre as mudanças do País com as mudanças pessoais", disse o sócio-diretor da agência, Guilherme Sztutman.Consumidor-cidadãoEste novo posicionamento está sendo transportado para a relação entre os consumidores e as empresas. Segundo a pesquisa, as marcas têm que acrescentar serviços, o atendimento deve ser competente e cordial e as empresas, demonstrar atuação responsável. Valores como honestidade, responsabilidade, paz, amor à família, ética e solidariedade, foram, nesta ordem, mencionados como os mais importantes. De acordo com o consultor, está nascendo o consumidor cidadão. Na revisão de valores, a educação e a informação ganharam mais força. Dos gastos comuns das famílias, apenas estes dois não foram afetados na reorganização das contas: 62% não cortaram a TV a cabo e 48% não mexeram nos custos com escolas e cursos. Por outro lado, uma boa parte se mostrou disposta a trocar de marca para pagar menos. As categorias mais suscetíveis seriam os de produtos de limpeza (32% das pessoas abririam mão da marca); alimentos (26%); cuidados pessoais e cosméticos (16%). A pesquisa, que será apresentada na íntegra no seminário "Sonhos de Consumo em Tempos de Mudança", na próxima quarta-feira na Câmara Americana de Comércio, em São Paulo, identificou oito grupos de consumidores, classificados como batalhadores, sonhadores, retraídos, conservadores, progressistas, liberais, transgressores e ideológicos, com participações equivalentes na sociedade. Segundo ele, a justiça social e o bem-estar geral assumiram mais importância, assim como a percepção de que não se pode ser feliz sozinho. Há uma consciência maior da responsabilidade coletiva. A maioria dos entrevistados (45%) afirmou que deseja um País mais humano e mais justo, enquanto que 28% querem uma nação mais civilizada, educada e cidadã. "As pessoas, antes, se consideravam vítimas. Agora, acham que também são responsáveis", disse.

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