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Pesquisa revela que 84% dos consumidores não pretendem se endividar

Segundo pesquisa da Acrefi e Kantar TNS Brasil, a decisão está diretamente ligada a inflação alta e o medo do desemprego

Francisco Carlos de Assis, Eduardo Laguna e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2016 | 11h19

SÃO PAULO - Se bancos e financeiras estão pouco ou nada dispostos a conceder crédito, do outro lado do balcão 84% dos consumidores não tem a menor pretensão de se endividar. É o que apurou em outubro a pesquisa trimestral da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e Kantar TNS Brasil, empresa global de pesquisa de mercado. O levantamento, feito entre os dias 20 e 28 do mês passado, ouviu mil pessoas de 18 a 65 anos, sendo a maioria do sexo masculino.

A decisão de evitar novos empréstimos está diretamente ligada a três fatores, segundo a pesquisa: a inflação alta; o endividamento elevado; e o desemprego - ou o medo dele. Para 93% dos entrevistados, a inflação influencia a decisão de tomar crédito. E 68% não está seguro de que vai manter o emprego

Apenas 16% dos consultados disseram que pretendem contrair crédito. Dentro desse universo, 34% disseram que o empréstimo pretendido será para aquisição de um imóvel. Ou seja, engrossarão a estatística do crédito direcionado. A maior parte, 36% deverão tomar empréstimo pela modalidade crédito consignado. Outros 30% pretendem comprar um automóvel e 34% planejam recorrer ao Crédito Direto ao Consumidor (CDC).

A pesquisa revela ainda que 63% dos entrevistados confessaram já estarem endividadas. Os 37% restantes estão livres de dívida. Dos que admitiram já estarem endividados, 73% estão pendurados no cartão de crédito e 27% disseram estar pagando prestações por meio de carnês. Outros 12% estão pagando financiamento de carro; 11% se endividaram no mercado imobiliário e iguais 11% têm compromissos a serem honrados no Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Apenas 2% dos endividados se prenderam por uma operação de leasing e 20% tem algum outro tipo de dívida.

Pedidos. A demanda do consumidor por crédito registrou também registrou queda de 1,5% na passagem de setembro para outubro, de acordo com pesquisa da Boa Vista SCPC divulgada nesta terça-feira, 22. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, também houve recuo, de 13,3%, e, na variação acumulada em 12 meses terminados em outubro, a retração somou 8,1%. Já no acumulado deste ano, a queda foi de 9,3%. 

De acordo com a Boa Vista, o segmento não-financeiro apresentou recuo mais intenso na margem com ajustes sazonais, de 2,3%, e, nas instituições financeiras, a queda foi de 0,3% na mesma base de comparação. A instituição espera que a demanda por crédito do consumidor continue em terreno negativo no curto prazo e só apresente dados positivos na série em 12 meses a partir do segundo semestre de 2017. 

Otimismo. Pela primeira vez desde que começou a ser realizada, em outubro de 2014, a pesquisa trimestral da Acrefi e Kantar TNS revelou aumento do otimismo. No levantamento realizado no mês passado, 34% das mil pessoas entrevistadas disseram acreditar que o Brasil está de volta aos trilhos, caminhando na direção certa, depois das últimas medidas econômicas anunciadas. O porcentual está 11 pontos acima do registrado em junho, embora ainda esteja 4 pontos abaixo do verificado em 2014.

 

O otimismo cresceu especialmente em questões relacionadas à oferta de crédito, crescimento do País e taxas de juros. Em outubro, 44% dos consultados disseram que a situação do crédito tende a piorar mais. Em junho a situação do credito iria piorar na avaliação de 57% do total de pessoas consultadas. A economia deverá crescer para 35% das pessoas ouvidas ante 32% dos ouvidos na pesquisa de junho. 

 

Ao mesmo tempo, o consumo das famílias devem piorar para 45% do universo abordado pela pesquisa enquanto que no levantamento anterior 66% dos entrevistados apostavam na deterioração do consumo das famílias. A taxa de juros de piorar para 53% dos ouvidos, abaixo dos 68% que acreditavam na pesquisa de junho que os juros iam aumentar.

 

Corrupção. Quando perguntados sobre como veem a corrupção no País, 60% dos entrevistados disseram não acreditar que a corrupção diminuirá depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Outros 25% do universo pesquisado acredita que corrupção deve diminuir e 15% não souberam responder.

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