Pesquisas do Caged e Dieese têm perfis diferentes

Enquanto o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) calcula as vagas formais abertas ou fechadas no País, a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Dieese vai à casa das pessoas em seis regiões metropolitanas perguntar quantas estão ocupadas, seja com emprego formal, informal, público ou autônomo."Olhando os dois resultados, podemos dizer que as vagas de emprego formal tiveram uma pequena diminuição no País. Mas, nas regiões metropolitanas, o número de pessoas ocupadas, nas diversas formas de trabalho, aumentou", diz o professor da Unicamp e ex-ministro do Trabalho, Walter Barelli. Ele diz que não é possível fazer uma comparação direta entre a PED e o Caged porque a primeira mede todos os tipos de trabalho só em algumas regiões, enquanto a segunda mede todas as regiões, mas só um tipo de trabalho. "Há muita movimentação nessas ?zonas de sombra? não cobertas pelas duas pesquisas" e é por isso que os resultados são diferentes."Não é possível dizer se está havendo migração do trabalho formal para o informal ou autônomo ou se é um prenúncio de queda no emprego total. Isso porque 40 mil vagas formais a menos é um número muito pequeno. A população economicamente ativa (PEA) tem 20 milhões de pessoas", explica.Para Barelli, no entanto, a redução nas vagas formais no fim do ano, mesmo pequena, é atípica. "Em geral, há alta no formal e no total, por causa dos trabalhos temporários de fim de ano." Para o início do ano - quando normalmente há ingresso de recém-formados na PEA - ele espera um aumento no desemprego, pois haverá mais pessoas disputando o trabalho existente. "Além dos recém-chegados, haverá os demitidos dos últimos meses. Se a economia continuar empacada, veremos mais diminuição de vagas e aumento no desemprego total."

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