Coluna

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Pesquisas e debate deverão afetar humor dos mercados

Após uma breve pausa para digerir os resultados do primeiro turno, os investidores expostos ao Brasil se preparam o início de uma nova fase de intenso monitoramento do quadro político do País. A divulgação das primeiras pesquisas de intenção de voto para o segundo turno e, principalmente, o debate no domingo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, do PSDB, na TV Bandeirantes, são considerados eventos que determinarão, juntamente com o cenário externo, o comportamento dos ativos brasileiros a partir da próxima segunda-feira. Mas, apesar da crescente expectativa, os investidores demonstram tranqüilidade com a eleição brasileira, não a considerando capaz de gerar movimentos bruscos nos mercados, a menos que surjam surpresas que estressem demasiadamente o quadro político.A expectativa geral é que as primeiras pesquisas eleitorais apontarão um quadro equilibrado, mas com uma ligeira vantagem do presidente Lula. Por isso, os levantamentos que serão realizados na próxima semana, que já incorporarão o impacto do debate na televisão, são consideradas fundamentais. Efeito AlckminSegundo a avaliação de analistas do mercado internacional, um fortalecimento das chances de Alckmin poderá ter um impacto positivo sobre os ativos brasileiros, dando continuidade ao movimento ocorrido com a surpreendente necessidade de um segundo turno. "A maior parte dos mercados é pró-Alckmin e se ele despontar como favorito a reação deverá ser boa", disse à Agência Estado o estrategista da corretora de fundos hedge Liabilities Solutions, Wilber Colmerauer. Por outro lado, observou, boa parte dos mercados já havia precificado antes do primeiro turno uma vitória de Lula. "Por isso, se o Lula despontar como vencedor um eventual impacto negativo será muito limitado", disse. Segundo ele, os mercados vão "ficar jogando com esses fatores ao longo das próximas semanas".Peter West, diretor do fundo de investimentos Poalim Asset Management, também acredita que se Alckmin demonstrar chances reais de vitória "os mercados vão gostar". Mas, a exemplo de Colmerauer, ele salientou que um ponto de preocupação que não deverá desaparecer tão cedo do radar do investidor é a nova composição do Congresso Nacional, que sinaliza dificuldades para o próximo presidente, seja ele quem for. "Essa questão do apoio no Congresso é considerada por muita gente mais importante do que saber em quem será o presidente", disse West. O economista Paulo Leme, do banco Goldman Sachs, salientou que a associação entre Alckmin e Anthony Garotinho pode ter custado ao candidato tucano "a liderança nessa fase inicial da corrida para o segundo turno". Em nota para clientes, ele disse que a retórica eleitoral está esquentando. "O presidente Lula alertou que o que Alckmin pretende fazer é demitir e cortar os salários dos servidores públicos, assinalando que isso é o tucano quer dizer ao falar em cortes nos gastos públicos", disse Leme. "Isso é correto, senhor presidente, é dessa maneira que um país pode conter o gasto corrente e liberar recursos para investimento privado e crescimento". Fator externoMas seja qual for o andamento da campanha eleitoral brasileira nas próximas semanas, o sentimento dos investidores continuará sendo norteado principalmente pelo ambiente externo, principalmente o quadro da economia dos Estados Unidos. Colmerauer observa que se o clima no exterior for favorável para os emergentes, qualquer preocupação com a eleição no Brasil será neutralizada. "Mesmo no pior cenário para os mercados, ou seja, uma vitória de Lula com uma vantagem marginal de votos, um mercado externo positivo poderá até sustentar ganhos nos ativos do país", disse o analista. "Mas se os mercados externos enfrentarem um momento de indigestão, a reação negativa poderá ser um pouco mais pronunciada."

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