Felipe Rau/Estadão/29/08/2019
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Pesquisas sobre emprego serão afetadas

Brasil não tem termômetro rápido para medir o mercado de trabalho, mas especialistas avaliam que o impacto será forte

Vinicius Neder, RIO

05 de abril de 2020 | 05h00

A avaliação de especialistas é que a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus terá forte impacto no mercado de trabalho, com o crescimento do desemprego nos próximos meses. Só que essas estimativas no Brasil ainda são feitas sem base em dados chamados de “alta frequência”, mais imediatos.

Economistas consultados pelo Estado afirmaram que não há um termômetro rápido para o mercado de trabalho nacional para além das pesquisas de percepção – como os indicadores de confiança.

Tanto que o IBGE anunciou, na última quinta-feira, que fará mudanças na pesquisa que acompanha o mercado de trabalho, a Pnad Contínua. Dois dias antes, o órgão tinha anunciado a taxa de desemprego para o trimestre móvel terminado em fevereiro (11,6%, abaixo do nível de um ano atrás) – informação que já ficara “velha”, sem captar nenhum efeito da pandemia.

Com a covid-19, o pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), projeta um índice de 16% neste segundo trimestre, como sinal do agravamento de um quadro recessivo. “Vai piorar (o mercado de trabalho) e vai voltar a melhorar muito lentamente, em ritmo parecido com a última crise”, disse.

O diretor adjunto de Pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo, reconheceu que a Pnad Contínua tradicional traria uma fotografia parcial do problema. As informações abrangeriam três meses, mas o impacto da pandemia começou em março. Além disso, o trabalho remoto e a parada abrupta de trabalhadores para impedir o contágio da doença desafiam as pesquisas em todos os países, exigindo adaptações, disse Azeredo.

Por isso, a saída foi propor uma pesquisa paralela, por telefone, para investigar esses fenômenos. A Pnad Contínua do primeiro trimestre está prevista para ser divulgada só em 30 de abril.

EUA tem dados semanais

Nos Estados Unidos, ao contrário, há dados semanais sobre o seguro-desemprego – só na semana passada, foram 6,6 milhões de novos pedidos, informou o Departamento do Trabalho. Os dados oficiais de março nos EUA  foram divulgados na sexta-feira, apontando para o fechamento de 700 mil postos de trabalho. 

Mas a crise da covid-19 é tão inédita que os trabalhadores demitidos podem ficar de fora do mercado, e a taxa de desemprego pode até cair num primeiro momento, lembrou Azeredo, do IBGE. Isso poderá ocorrer não por fatores positivos, mas sim porque, com todos confinados, os demitidos não terão como procurar uma nova colocação.

“As pessoas não estão saindo para trabalhar, quanto mais para procurar trabalho”, afirmou Azeredo, ao comentar os dados de fevereiro. / COLABOROU THAÍS BARCELLOS

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