Pesquise antes de aderir à previdência

Taxas de administração corroem os ganhos; custos variam até quatro pontos porcentuais

ROBERTA SCRIVANO, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h08

Ter taxa de administração baixa é essencial para que o plano de previdência traga o retorno esperado. Hoje, segundo dados do mercado, esse custo pode variar quatro pontos porcentuais entre um plano e outro. A taxa de administração é descontada do valor que o investidor deposita, por isso prejudica o resultado da aplicação, explicam especialistas em finanças pessoais.

Com números ilustrativos é possível demonstrar o impacto da taxa no investimento. Por exemplo: se forem aplicados R$ 100 ao mês durante 40 anos em um plano que prometa 10% de rentabilidade ao ano e que tenha taxa de administração de 1,5% anuais, ao final do período, o saldo da previdência será de R$ 562 mil.

Se considerarmos o mesmo valor investido, prazo e rentabilidade mas em um plano que tenha como taxa de administração 3,5% ao ano, no final do período terá sido acumulado R$ 305 mil.

A diferença, portanto, é de dois pontos porcentuais entre a taxa de administração de um plano e outro; e R$ 257 mil a menos no bolso. "E a diferença pode ser ainda maior do que isso", comenta Mateus Schaumloffel, diretor da XP Corretora de Seguros.

A conta não considera as possíveis taxas de carregamento e de saída dos planos de previdência - que também podem existir, mas em diversos casos é isenta. "Portanto, além da taxa de administração é preciso olhar a de carregamento de entrada e de saída", completa o especialista da XP Corretora de Seguros.

Schaumloffel salienta, portanto, a importância de pesquisar antes de aderir a um plano deste tipo. Ele diz, inclusive, que no site da XP Corretora de Seguros é possível fazer uma comparação bastante completa entre os planos que a corretora oferta. "Temos diversas marcas aqui na XP, por isso, conseguimos fazer uma comparação ampla."

Sem previdência. É justamente por todos esses custos que há diversos especialistas em investimentos que defendem que cada um monte a sua própria carteira de aplicações com vistas à aposentadoria. O educador financeiro Mauro Calil, por exemplo, é um dos especialistas que considera bastante viável esta alternativa. Mas, neste caso, o interessado terá de se informar mais sobre o mercado financeiro, ou até mesmo procurar ajuda de um especialista, para montar uma carteira diversificada e relativamente segura.

Há também os mais arrojados, como Décio Pecequillo, operador sênior da TOV Corretora, que acha que é possível planejar a aposentadoria apenas investindo em ações. A recomendação, no entanto, só vale para os mais jovens. "Eu acumulei patrimônio somente com investimentos em ações", lembra ele, quando é questionado sobre o assunto.

De uma forma ou de outra, os especialistas frisam que planejar a aposentadoria fora da tradicional previdência é apenas para aqueles que têm disciplina para controlar o orçamento e a aplicação.

Para Schaumloffel, da XP Corretora de Seguros, fazer a própria carteira pensando na aposentadoria só vale a pena para aqueles que não vão usufruir dos dois principais benefícios da previdência privada: benefício tributário (quem tem um plano desse tipo e faz a declaração de IR completa, tem 12% de redução da base tributária) e transferência de patrimônio em algum momento da vida. Neste caso, na previdência não é necessário, por exemplo, a elaboração de inventário, dentre outros benefícios.

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