Pessimismo alerta que exuberância não voltou, diz Meirelles

Presidente do BC reafirmou que flutuações nas commodities e no dólar vão continuar pois crise persiste

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

23 de junho de 2009 | 18h12

As correções realizadas pelos mercados financeiros no Brasil e nas principais praças internacionais são um alerta de que a exuberância ainda não voltou, de acordo com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Reunido com empresários brasileiros e franceses na tarde desta terça-feira, 23, em Paris, a autoridade monetária reafirmou que as flutuações nos preços das commodities e do dólar vão continuar porque a crise persiste.

 

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A avaliação foi feita ao fim da reunião promovida pela Câmara do Comércio do Brasil na França, no Bristol Hotel, em Paris. Ainda sob o impacto da onda de pessimismo que tomou os mercados internacionais na segunda-feira - quando a Bovespa caiu 3,66% e o dólar subiu 2,58%, atingindo R$ 2,024 -, Meirelles ressaltou a necessidade de prudência.

 

"As correções dos mercados nos últimos dias podem continuar e confirmam o que temos dito recentemente. Não há um espaço para clima de 'Voltou ao que era antes' e 'Vamos partir para a exuberância novamente'", afirmou. "As correções foram um alerta para aqueles que apostam que o preço das commodities e o real só vão subir, e que o dólar só vai cair. O mercado continua a se mover, e não apenas em uma direção."

 

A instabilidade prossegue, segundo Meirelles, porque a recuperação da economia mundial será "lenta, gradual e sujeita a muitas variações". "É importante a prudência para evitar exageros e as perdas que já vimos no passado."

 

Pico da crise

 

Apesar das advertências, o presidente do BC reiterou que as previsões indicam que o pico da crise foi superado. A perspectiva será confirmada - ou não - pelo relatório de projeções do Banco Central, que será divulgado na próxima semana. "As indicações são de que o pior momento já passou. Foi no ano passado, na virada do ano. A nossa expectativa é de que o crescimento deva ser positivo neste ano."

 

Meirelles entende que a estabilização no Brasil passa pela recuperação total do crédito. Grandes empresas, acredita o presidente do BC, já têm acesso ao crédito externo. A retomada também estaria acontecendo no crédito consignado. "O grande desafio é fazer voltar o crédito para pequenas e médias empresas."

 

Medidas

 

Para realimentá-lo, o Ministério da Economia e o próprio BC estão próximos de anunciar - embora ainda não haja data marcada - a criação do Fundo de Aval para as pequenas e médias empresas, que terá como gestor o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e somará RS$ 1,7 bilhão em caixa - dos quais R$ 700 milhões já disponíveis.

 

Além dele, será criado o Fundo de Aval gerenciado pelo Banco do Brasil, com autonomia de até R$ 4 bilhões, voltado para o setor rural. "Existem ainda preocupações com o crédito, especialmente para empresas pequenas e médias. O fundo é muito importante para que essas empresas tenham a recuperação que outras estão tendo", entende Meirelles.

 

Quanto aos investimentos estrangeiros diretos, o presidente do BC afirmou que as perspectivas são positivas sobre o fluxo registrado em maio. Em abril, o valor cresceu 3,4%. Para o ano, o prognóstico de Meirelles é de queda em relação a anos anteriores, mas com cifras maiores do que os US$ 25 bilhões previstos para 2009.

 

"Não só estão entrando mais investimentos estrangeiros nas últimas semanas, mas as remessas têm caído muito. As empresas estão mantendo mais recursos no Brasil para reinvestir", explicou. "As expectativas para maio também são positivas."

 

Questionado sobre a suposta metas de acumulação de US$ 100 bilhões em reservas nos próximos nove meses, Meirelles foi enfático: "Nunca tivemos metas de acumulação de reservas. Não trabalhamos dessa maneira."

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